Friday, June 27, 2008

28 de Junho de 2008

Peço desculpa a todos, pela merda de filho que fui, pela merda de amigo, pela merda de pessoa.
Não mereço o que tenho e não mereço o que estraguei e nem sequer esta auto-compaixão ridícula que sempre usei e abusei ao longo da minha vida. Eles têm razão. Falhei em tudo o que havia para falhar e a culpa é toda minha. Toda minha.
Não sei se alguém vai ler isto e é cobardia, mais um exemplo dela, que as minhas últimas palavras sejam aqui. Provavelmente teria muita coisa a dizer a cada um de vocês, mas não consigo mais.
Desculpem.

27062008

O teu último dia chegou. Esperámos pacientemente, tentámos tudo, mas tu desperdiçaste todas as oportunidades que te demos. Desperdiçaste as oportunidades que toda a gente te deu. Queixas-te que não tens amigos mas tu é que os afastas-te a todos. Nenhuns amigos aguentam o mesmo que os teus aguentaram. Dizes a ti próprio que estás sempre presente quando eles precisam de ti mas sabes muito bem que isso não é verdade. Tu não estás presente, nunca estás e é uma ilusão pensar de que vais estar alguma vez. Nem para os teus amigos, nem para a tua família, nem para ti próprio. Onde tens estado nestes últimos anos? Enganas ou tentas enganar o tempo com tardes e noites passadas em frente à televisão, com os olhos meio abertos ou meio fechados e transportaste isso para os teus dias. Todos os dias. Todos os dias. Quantos dias? Quantos anos? Tens quase 30 anos e a cada dia que passa, menos vida tens. Estás a matar-te a ti próprio, estás a matar o teu mundo, aquele que negas existir ou ao qual não dás importância. És o maior dos mentirosos e mesmo assim fechas os olhos e finges que és ma vítima de injustiças. Não te iludas, é tudo merecido. Na vida, tudo é um teste e tu falhas constantemente. Angarias simpatias que as cospes para longe para poderes vestir a pele da vítima, do injustiçado. Dívidas, a culpa do teu pai, solidão, a culpa da Susana e de todas as outras que têm nojo de ti, vazio, a culpa da vida por não te ter trazido tudo aquilo que desejavas, cansaço, a culpa do tempo que te rouba a energia. Mas a ti nada te afecta, tu és invulnerável a tudo e a todos. A tua invulnerabilidade só existe porque permitimos que exista. Somos o que te sustenta e mesmo tu não vês. Aos olhos dos outros és alguém que nunca perde a calma, pacato. És um cobarde que só luta quando sabe que pode ganhar. Pergunta ao teu sobrinho e à tua avó, as vezes que os ias matando, em que perdeste o controle facilmente. E contaste as vezes que te meteu raiva veres ou ouvires a tua mãe a chorar? E não foi raiva pela razão que a fez chorar e sim pela demonstração de fraqueza. Mas as tuas demonstrações de fraqueza... a essas fechas os olhos. Não são tuas, são de outra pessoa qualquer dentro de ti, alguém longínquo. Tal como a raiva. Tal como os erros. Nunca são teus. E apesar de os atirarmos constantemente à tua cara, tu continuas a olhar para outro lado. Tu próprio admites que já não tens por onde ir, já não tens por onde caminhar. Não tens nada a não ser a desgraça familiar que te caiu em cima. Não tens vida.
O que te resta? Não ouves as perguntas a ecoarem, cada vez mais alto? As perguntas das poucas pessoas que ainda não te abandonaram, as perguntas que lhes ecoa na cabeça. O que te resta? A fé num futuro onde o plano é ganhar uma lotaria qualquer para que tenhas o dinheiro sem esforço? Encontrares maneiras momentâneas de te sentires em paz contigo próprio para viveres mais um dia até que caias novamente no mesmo buraco, sem te aperceberes que estás, irremediavelmente a andar em círculos? Odeias o teu trabalho mas estás de tal maneira na merda de que anseias pelos dias de semana, anseias por aquele momento da manhã em que acordas no meio da tua própria rejeição para ires trabalhar. Porque não tens mais nada! Tens vários refúgios, até os abandonares porque acabas por te aperceberes que mais cedo ou mais tarde, nenhum refúgio te vai proteger da verdade. A verdade é que não tens nenhuns fantasmas à tua volta, apenas é mais fácil para ti acreditares nisso. A tua família não foi amaldiçoada por nada de sobrenatural. Apesar do absurdo, essa era a explicação mais lógica, mais racional e sem sombras de dúvida, a mais fácil. Sempre o caminho mais fácil e sempre o eterno preguiçoso que aponta o dedo para tudo e todos mas que vê antes se não está nenhum espelho por perto. Pois agora, aqui estamos nós. O teu espelho. Agora não consegues fugir do teu reflexo. Consegues encará-lo? Será que consegues? Mais uma fuga com sucesso imediato no entanto breve. Olha para ele e vê que tudo na vida foi assim. Sucesso imediato, mas breve. Tens tanto medo de desiludir as pessoas que é isso que acabas por fazer, para teres um prazer mórbido de veres que tinhas razão em ter medo, que não foi em vão. Como é que alguém te pode amar? Como é que alguém te pode sequer respeitar? Se tu não te dás ao trabalho, como é que os outros o poderão fazer? E para quê? Todos os crimes que cometeste contra ti, cometeste contra nós e chegou a altura de dizer basta. Basta de medo, basta de culpa, basta de dor, basta de solidão, basta de raiva, basta de dor, basta de loucura.

B A S T A

D E

T I!!!

LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE

Até que a sintas! Até que todos os sintamos.
Mas tu já não sentes mais nada, pois não? Estás muito cansado. Descansa do fardo da vida já que provaste a ti próprio seres indigno dessa simples tarefa. Descansa, que este é o teu último dia. Não mais coitadinho de ti. Não mais vazio, insignificância sem sentido, existência absurda.

Acabou!

Falhaste!


26 de Junho de 2008

Mais de 15 mil euros em dívidas e eu desisto de contar. Apetece-me desistir de tudo. E quanto mais se remexe, mais a merda vem ao de cima. Os processos judiciais multiplicam-se e eu não aguento mais. Porquê este castigo? Não aguento mais ver a minha mãe assim e eu não sou capaz de lhe dar o mínimo de força. Dizer o quê? Que é sempre esta merda desde que nasci? De que apetecia-me não ter nascido? Que não consigo calar mais as vozes que dizem que a culpa é toda minha? De que nada vai realmente mudar? Nunca mudou... os anos passam, os empregos mudam, mas o problema é sempre o mesmo.

A M E S M A H I S T Ó R I A D E S E M P R E

Sinto-me encurralado e amordaçado, preso a um sítio qualquer enquanto a água sobe e eu não consigo libertar-me. Quero libertar-me e não consigo, não consigo libertar-me. Sou um inútil e não há nada que consiga fazer. Apenas olhar enquanto me afogo. Gostava de me afogar sozinho mas a minha família inteira está na mesma situação. O único que está mais distante é o meu irmão e ainda bem para ele. Ainda bem para ele, mas mesmo assim, pode ser afectado. Estou farto disto tudo. Não aguento olhar mais para os meus pais e não aguento mais olhar-me ao espelho. Nunca senti tanto cansaço antes, nunca mas nunca antes estive com tanta vontade de desaparecer. Não há nada. Eu tornei-me o grande vazio, não existe nada dentro de mim. Estou a cair sem parar no meu próprio abismo. Foda-se, para quê tentar arranjar maneiras bonitas de pôr isto?
Quero morrer. E estou cansado demais para me tentar impedir de o fazer.
Cansado do meu cansaço e a chegar pela primeira vez a um ponto que não aguento mais.
Não aguento mais ser vencido por coisas que não vejo, que me influenciam, que me torturam a mim e à minha família. Não aguento mais os mortos serem a minha companhia quando todos os vivos fogem de mim. Alguma coisa vai ter de mudar amanhã, algo para me prender aqui, porque se nada muda... eu desta vez, inconsciente ou conscientemente, não volto mais.

Wednesday, June 25, 2008

25 de Junho de 2008

Não me deixam em paz, quanto mais fundo escavo o meu buraco mais eles estão perto de mim, dentro de mim. Odeio o meu cheiro, estou morto por dentro e o meu corpo todo está impregnado desse cheiro a podre. Mesmo que alguém se quisesse aproximar de mim agora, de certeza de que iriam fugir deste fedor, como todos os outros... todos fogem, embora não saibam exactamente do quê. Não os posso censurar, sempre arranjei maneiras diferentes de fugir de mim mas nenhuma resultou, não da maneira que eu queria. Acho que nem depois de morto vou conseguir fugir de mim próprio. Esta semana, tal como o próprio tempo, passa a correr. Mesmo com a cabeça cheia, mesmo com esta pressão dentro e fora de mim, à minha volta, não consigo parar para respirar, parar para pensar. Ignorar a merda das vozes.
CHEGA DE VOZES NA PUTA DA CABEÇA!!
Chega de toda esta merda, parem o tempo, parem-no de uma vez. Ou então andem com ele duma vez só até ser apenas pó a vaguear ao sabor do vento. É o que já sou. Digo a mim próprio cheio de coragem de que estou orgulhosamente só, fechado nesta prisão feita de carne e ossos, que foi o destino, os meus pais, os fantasmas, qualquer merda que me colocou aqui e que por enquanto não há saída. Que vou ter de esperar até que a última dívida seja paga, para que seja livre. Que possa ter dinheiro para comprar a merda de um bilhete de comboio para algum sítio longe sem estar preocupado de esse dinheiro não vai faltar para comprar o pão para o jantar. Não há liberdade à vista e a pena é perpétua. Sem visitas, porque este preso é alguém que ninguém quer visitar, fechado numa rocha qualquer funda, onde à noite entra a água e os ratos para roerem o pouco de carne que restam nos seus ossos. Os ratos são os meus únicos amigos, os únicos que não me abandonam mesmo quando eu os afasto de mim. Eles vão estar sempre aqui, à minha volta. Onde estão todos os outros? 8-17,8-17,8-17 todos os dias, dia após dia e no fim de semana, quando supostamente seria a liberdade, não há liberdade para ser gozada. Não há nada. Apenas a espera pelas 8-17,8-17,8-17 até que me canse, até que a corda parta pelo o lado mais fraco, até que a corda me parta a mim. E não vai estar ninguém para colar os pedaços. Cinzas, todos os meus amigos são cinzas que me queimam pela sua ausência. Que se fodam todos, nunca tive amigos verdadeiros de qualquer maneira.

24 de Junho 2008

Continuo cego e surdo mas mesmo assim continuo a ouvir e a ouvi-los. Interminavelmente, um círculo vicioso que se prolonga até ao infinito. Eu não estou vivo mas ainda não morri. É por isso que não consigo morrer, eu não posso morrer embora eles digam para me matar. Eles, quem? Quem são eles? Quem quer que eu morra? Eles estão dentro de mim. Disse à minha mãe que estava possuído pelo diabo e por todos os seus demónios. Mil demónios dentro de mim e todos gritam a minha morte, morre morre morre. Mas mesmo assim, eu não consigo morrer. Ou não quero? Eles sempre estiveram cá, desde que nasci, possivelmente mesmo antes disso. A infectar esta família, a torturar. Agora percebo o pavor da minha avó, o respeito da minha mãe. Mas nenhuma delas se deixou quebrar, apenas eu. O Fraco. Estou cansado demais para ter medo e não consigo ter respeito por nada ultimamente. Acho que chegou a hora de abraçar as vozes, chega de ter medo do futuro, preocupado ou convencido de que posso ter uma vida normal ou sequer de que sou alguém normal. Estou marcado para ser um festim para estes caralhos todos que não me largam. Rasgo a minha pele e corto a minha carne mas eles continuam cá. As bruxas gritam e mandam-me embora porque sabem que não há salvação para mim. Sou o Condenado. Porquê tanto tempo para morrer? Seria um alívio para todos, para os poucos que ainda se dão ao trabalho de pensar em mim. O meu pai não deve ser um deles, sempre fui menos que merda para ele. A insignificância que nunca estava atento, o palhaço que não vive no mundo da lua. Que alívio teria sido para ele se tivesse nascido lá e explodido no vácuo do espaço. O seu ar de desprezo sempre me disse que era um coitadinho que deixou a força na cona da mãe como ele sempre disse perante as minhas fraquezas. Sim, sem dúvida que deixarei de ser uma vergonha e um peso na sua mente, não ter de pensar na merda de fracasso que gerou. Se ele soubesse que o que odeio mais em mim é aquilo que identifico como sendo dele. Se ele soubesse como sonho um dia cuspir-lhe na cara todo o ódio que tenho por ele, o ódio que ele criou de mim, o monstro que ele criou dentro de mim. Nunca vai saber, sou cobarde demais para lhe dizer o quer que seja. Sou a maior prova viva que o desprezo que ele tem por mim tem razão de ser. É irónico, com isto tudo, com as penhoras, com as dívidas, as acções em tribunal, o resultado de uma vida inteira destinada ao fracasso, esteja dependente do incapaz do filho. Dá que rir, mas mesmo assim, não passo de um monte de merda, embora agora não seja mais frequente nas conversas. Pelo menos à minha frente. E mesmo que fosse, já não estou cá mais para ouvir. Nem para ele nem para ninguém. O meu corpo há-de estar a apodrecer debaixo da terra e ele ainda vai ficar surpreendido quando a minha mãe lhe disser que eu não gostava de feijão ou de grão. Talvez aí o fantasma seja eu e o atormente até ao final da sua vida, como ele me atormentou a mim quando eu estava vivo. Até posso tentar, mas se ele não ligou um caralho quando estava vivo, porque é que ia começar quando eu estiver morto?

Monday, June 23, 2008

23 de Junho de 2008

Acordei no meu vómito, um cheiro horrível nos meus lençóis, na minha pele, que não consigo apagar. Porque continuo a tentar? Sempre a tentar apagar alguma coisa e no fundo acho que acabo mais a fugir do que propriamente a apagar. A Susana, quanto tempo ela vai continuar a espetar-se no meu peito como um alfinete cruel que apenas existe na minha cabeça? Ela não existe mais assim como eu não existo mais para ela. Porque é que eu deixo que ela me faça mal? Porque é que eu quero morrer às suas mãos, sentir que toda esta merda toda é obra das maldições que ela me lançou, fruto do desprezo que ela disse sentir de mim. Desprezo, não, nojo. "Tenho nojo de mim por me teres tocado"
"Tenho nojo de ti, nojo, nojo, nojo, nojo..." E as palavras repetem-se até à exaustão mas mesmo assim não se calam.
"NOJO"
Eu também tenho nojo de mim, isso traz-te alegria de alguma forma? Estás feliz, és feliz, estás completa, realizada? Tudo aquilo que disseste que seria possível seres comigo. Aposto que sim e aposto que se lesses estas palavras que a tua felicidade iria aumentar e mesmo assim irias achar que não era suficiente. Mas tu não me odeias, apenas me desprezas. Não reconheces a minha existência. Não existi. Felizmente para ti.
Felizmente para todos os que não me conhecem, todos aqueles na tua vida perfeita. Fode-te mais a tua vida perfeita. VAI-TE FODER! Tu é que me metes nojo, nojo sequer de te dar valor o suficiente para que me continues a magoar 3 anos depois. 3 anos de tortura, 3 anos em que desejei a morte por ti, pelo teu veneno que deixaste dentro de mim. Sempre tão criança no meio dos seus sonhos idiotas. ACORDA PARA A MERDA DO MUNDO! Nada é cor de rosa, não fantasiasinhas nem princepesinhos encantados para te salvar dos teus ditadores, da tua própria inércia em lutares por ti. Tu não sabes quem tu és, apenas esperas que alguém diga o que és. Queres saber o que és? ÉS UMA MERDA DUM SER HUMANO, um desperdício de sangue e carne que estava melhor distribuído como alimento para hienas e abutres. Como é possível ainda continuares aqui? Porque é que não sais?! SAI, CARALHO, SAI! DESAPARECE, DEIXA-ME EM PAZ, NÃO AGUENTO MAIS, DEIXA-ME EM PAZ. Deixa-me em paz... estou farto de acordar no meio do teu vómito e não sufocar.
Não interessa... tu és um deles. Um daqueles que anda à minha volta, que não me larga, um dos mortos. Tu és a mulher nojenta, eu reconheço-te. Mas não me reconheço mais a mim, o que sobrou de ti. Um monte de merda que se odeia, que não se perdoa, por amar-te quando tudo o que quer é odiar-te.

22062008

Não mereces viver!
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORREMORRE
MORRE!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!