Ison: Estava com receio que não viesses mais ou que me tivesse bloqueado.
Nando: Não sabia que tinha causado tão boa impressão na nossa primeira conversa.
Ison: A q.b.. Como é que estás hoje? Ontem parecia que estavas cansado...
Nando: Foi um longo dia e também já eram três da manhã.
Ison: Compreendo.
Nando: Então e será hoje que me vais dizer como é que me adicionaste?
Ison: Eu disse-te.
Nando: Disseste-me o porquê , não me disseste o como.
Ison: Certo. Bem, para alguém que preza muito a sua solidão, deixas o teu mail espalhado por muitos sítios. Não foi difícil chegar a ti.
Nando: Olha, sinceramente, não quero saber. Não quero saber se é verdade ou mentira. Não me interessa. Nada me interessa.
Ison: Alguma coisa te deve interessar. Os amigos...
Nando: Não tenho amigos.
Ison: Toda a gente tem amigos.
Nando: Eu não.
Ison: Aposto que eles se te ouvissem agora iriam ficar bastante tristes.
Nando: O problema é esse, eles não ouvem. Nunca ouvem.
Ison: E tu, falas?
Nando: Não. Já não. Desde há muito tempo que desisti de o fazer. Eles também não perguntam.
Ison: Se calhar também não lhes dás muitas hipóteses.
Nando: Como assim?
Ison: És intimidante.
Nando: Tu não me conheces, sabes lá se sou intimidante. Esta é a segunda vez que falamos.
Ison: Exactamente e já te considero intimidante, imagino aqueles que têm que conviver contigo. Não deve ser fácil para eles.
Nando: Mas eles também não são fáceis para mim.
Ison: Não me parece que lhes dês muitas hipóteses para isso. De quaquer forma, teremos que continuar a conversa noutra altura porque agora vou ter que sair. E depois tens que me explicar porquê esses pensamentos.
Nando: O que é que isso te interessa? Adicionaste-me porque estavas aborrecido... porque é que não ficaste pior? Haverá aborrecimento maior que eu?
Ison: Deixa-me ser eu a decidir isso, ok?
Nando: Ok, ok.
Ison: Então até amanhã.
Nando: Até amanhã.
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