Wednesday, January 19, 2011

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011 - 20:51

Ison: Não esperava que aparecesses.
Nando: Porra, mal abro o msn, apareces logo. Estavas à minha espera ou quê?
Ison: Por acaso até estava à tua espera. Queria ver se tínhamos finalmente oportunidade para falarmos um bocado.
Nando: Ainda não percebi todo esse interesse em mim.
Ison: Mas pela nossa primeira conversa, também tu tens algum interesse em mim. Gostava que me falasses disso, se puder ser, claro.
Nando: Olha, sabes que mais? Que se foda! Estou-me a cagar! Jurei a mim próprio que iria coloca o passado atrás das minhas costas e que iria continuar, não cometendo os mesmos erros do passado, mas a vida tem uma forma engraçada de me colocar de frente sempre para a mesma parede. Ison era o nome de que andou na minha cabeça durante mais de um ano, numa altura em que me tentei suicidar duas vezes. E agora quando me estou a afundar, quem é que me aparece no MSN para falar comigo? Ison. Agora diz-me lá se isto não é um sinal divino? Ou isso ou uma assombração.
Ison: Entendo o que queres dizer mas... é só um nome.
Nando: Não me digas que não achas a coincidência... coincidente demais.
Ison: Admito que é invulgar, mas nada mais que isso.
Nando: Estou a ver... e então, explica-me lá o que raio quer dizer Ison, se puder ser, claro.
Ison: Nada.
Nando: Nada? Como assim, "nada"? Alguma coisa deve significar. Porque raio o escolheste para teu nick.
Ison: Simplesmente me surgiu na cabeça. Não iria importar se fosse outra coisa ou esta. Pelo menos, para mim. Entendo o motivo que te perturbe. Mas no final... é apenas um nome. O que é que isso interessa?
Nando: Um nome que me faz lembrar que quero morrer.
Ison: Lamento, não tinha ideia que era assim tão perturbador
Nando: Não há nada a lamentar. Se não te conhecesse, provavelmente iria querer morrer à mesma por isso...
Ison: Mas isso não é um fim. Isso não é a meta.
Nando: Não há meta, apenas um desejo. Eu...
Ison: Sim, diz.
Nando: Eu vou ver se fico um pouco às escuras para pensar.
Ison: Se isso ajudar...
Nando: Duvido, mas tenho que tentar. Até amanhã.
Ison: Até amanhã e força.
Nando: É... força...

Tuesday, January 18, 2011

Quarta-feira, 19 de Janeiro - 06:54

Ison: Bom dia! Hoje madrugaste.
Nando: Madrugo sempre, acordo sempre cedo para ir trabalhar.
Ison: Não sabia... E então, como é que estás? Da última vez que falámos não me parecias lá muito bem.
Nando: Isso é o meu estado normal. Então e tu? O que é que estás aqui a fazer? Não são quase sete da manhã desse lado também?
Ison: Durmo pouco, então vim para o computador, para ver se me distraía.
Nando: Fizeste bem.
Ison: Tu é que já não aparecias há uns tempos.
Nando: Não tenho tido muita vontade de falar com pessoas.
Ison: Porquê?
Nando: Sei lá. Sinto que não tenho nada de relevante para dizer.
Ison: Há sempre algo de importante para dizer, mesmo que julguemos que não tem importância.
Nando: Ah é? Como por exemplo?
Ison: Por exemplo... pedir ajuda.
Nando: Ajuda? Ajuda para quê?
Ison: Não me parece que estejas bem.
Nando: Como podes tu saber se estou bem ou não? Aliás, como pode alguém saber?
Ison: É uma boa pergunta. Como é que alguém poderia saber? Parece-me difícil chegar até ti.
Nando: Eu consigo desenrascar-me sozinho.
Ison: Como não te conheço bem, vou ter que acreditar em ti.
Nando: Olha, vou ter que ir. Inté.
Ison: Até logo. Vê se apareces.

Sunday, January 16, 2011

Domingo,16 de Janeiro de 2011 - 16:29

Ison: Estava com receio que não viesses mais ou que me tivesse bloqueado.
Nando: Não sabia que tinha causado tão boa impressão na nossa primeira conversa.
Ison: A q.b.. Como é que estás hoje? Ontem parecia que estavas cansado...
Nando: Foi um longo dia e também já eram três da manhã.
Ison: Compreendo.
Nando: Então e será hoje que me vais dizer como é que me adicionaste?
Ison: Eu disse-te.
Nando: Disseste-me o porquê , não me disseste o como.
Ison: Certo. Bem, para alguém que preza muito a sua solidão, deixas o teu mail espalhado por muitos sítios. Não foi difícil chegar a ti.
Nando: Olha, sinceramente, não quero saber. Não quero saber se é verdade ou mentira. Não me interessa. Nada me interessa.
Ison: Alguma coisa te deve interessar. Os amigos...
Nando: Não tenho amigos.
Ison: Toda a gente tem amigos.
Nando: Eu não.
Ison: Aposto que eles se te ouvissem agora iriam ficar bastante tristes.
Nando: O problema é esse, eles não ouvem. Nunca ouvem. 
Ison: E tu, falas?
Nando: Não. Já não. Desde há muito tempo que desisti de o fazer. Eles também não perguntam.
Ison: Se calhar também não lhes dás muitas hipóteses.
Nando: Como assim?
Ison: És intimidante.
Nando: Tu não me conheces, sabes lá se sou intimidante. Esta é a segunda vez que falamos.
Ison: Exactamente e já te considero intimidante, imagino aqueles que têm que conviver contigo. Não deve ser fácil para eles.
Nando: Mas eles também não são fáceis para mim.
Ison: Não me parece que lhes dês muitas hipóteses para isso. De quaquer forma, teremos que continuar a conversa noutra altura porque agora vou ter que sair. E depois tens que me explicar porquê esses pensamentos.
Nando: O que é que isso te interessa? Adicionaste-me porque estavas aborrecido... porque é que não ficaste pior? Haverá aborrecimento maior que eu?
Ison: Deixa-me ser eu a decidir isso, ok?
Nando: Ok, ok.
Ison: Então até amanhã.
Nando: Até amanhã.

Friday, January 14, 2011

Sábado, 15 de Janeiro de 2011 - 03:11

Nando: Olá.
Ison: Olá, boa noite. Como estás?
Nando: Um bocado curioso.
Ison: E fora a curiosidade, como é que estás?
Nando: És muito directo ao assunto.
Ison: Como é que sabes que sou directo ao assunto e não sou directa ao assunto?
Nando: Não sei, feeling talvez... Estou errado?
Ison: É essa a tua curiosidade? Saber o meu sexo?
Nando: Não. A minha curiosidade é o teu nick e o facto de me teres adicionado.
Ison: É costume adicionares estranhos aos teus contactos?
Nando: Adicionar, não. Mas quando mandavam convites, aceitava-os. Há muito tempo atrás...
Ison: Porquê?
Nando: Acho que estamos a afastar-nos do ponto principal...
Ison: Que é...?
Nando: A minha curiosidade.
Ison: Sim. O meu nick não é importante, quanto ao motivo, olha... estava aborrecido e resolvi escolher uma pessoa com quem conversar.
Nando: E escolheste-me logo a mim. Isso é uma coincidência espantosa.
Ison: Porquê? Tu aceitaste o convite, não terás tu também me escolhido a mim?
Nando: Olha, já é tarde, tive um dia de merda e se não te importas continuamos a conversa filosófica amanhã. Pode ser?
Ison: Pode, claro.
Nando: Então até amanhã.
Ison: Até amanhã, ou até logo. E boa noite.
Nando: Boa noite.

Friday, June 27, 2008

28 de Junho de 2008

Peço desculpa a todos, pela merda de filho que fui, pela merda de amigo, pela merda de pessoa.
Não mereço o que tenho e não mereço o que estraguei e nem sequer esta auto-compaixão ridícula que sempre usei e abusei ao longo da minha vida. Eles têm razão. Falhei em tudo o que havia para falhar e a culpa é toda minha. Toda minha.
Não sei se alguém vai ler isto e é cobardia, mais um exemplo dela, que as minhas últimas palavras sejam aqui. Provavelmente teria muita coisa a dizer a cada um de vocês, mas não consigo mais.
Desculpem.

27062008

O teu último dia chegou. Esperámos pacientemente, tentámos tudo, mas tu desperdiçaste todas as oportunidades que te demos. Desperdiçaste as oportunidades que toda a gente te deu. Queixas-te que não tens amigos mas tu é que os afastas-te a todos. Nenhuns amigos aguentam o mesmo que os teus aguentaram. Dizes a ti próprio que estás sempre presente quando eles precisam de ti mas sabes muito bem que isso não é verdade. Tu não estás presente, nunca estás e é uma ilusão pensar de que vais estar alguma vez. Nem para os teus amigos, nem para a tua família, nem para ti próprio. Onde tens estado nestes últimos anos? Enganas ou tentas enganar o tempo com tardes e noites passadas em frente à televisão, com os olhos meio abertos ou meio fechados e transportaste isso para os teus dias. Todos os dias. Todos os dias. Quantos dias? Quantos anos? Tens quase 30 anos e a cada dia que passa, menos vida tens. Estás a matar-te a ti próprio, estás a matar o teu mundo, aquele que negas existir ou ao qual não dás importância. És o maior dos mentirosos e mesmo assim fechas os olhos e finges que és ma vítima de injustiças. Não te iludas, é tudo merecido. Na vida, tudo é um teste e tu falhas constantemente. Angarias simpatias que as cospes para longe para poderes vestir a pele da vítima, do injustiçado. Dívidas, a culpa do teu pai, solidão, a culpa da Susana e de todas as outras que têm nojo de ti, vazio, a culpa da vida por não te ter trazido tudo aquilo que desejavas, cansaço, a culpa do tempo que te rouba a energia. Mas a ti nada te afecta, tu és invulnerável a tudo e a todos. A tua invulnerabilidade só existe porque permitimos que exista. Somos o que te sustenta e mesmo tu não vês. Aos olhos dos outros és alguém que nunca perde a calma, pacato. És um cobarde que só luta quando sabe que pode ganhar. Pergunta ao teu sobrinho e à tua avó, as vezes que os ias matando, em que perdeste o controle facilmente. E contaste as vezes que te meteu raiva veres ou ouvires a tua mãe a chorar? E não foi raiva pela razão que a fez chorar e sim pela demonstração de fraqueza. Mas as tuas demonstrações de fraqueza... a essas fechas os olhos. Não são tuas, são de outra pessoa qualquer dentro de ti, alguém longínquo. Tal como a raiva. Tal como os erros. Nunca são teus. E apesar de os atirarmos constantemente à tua cara, tu continuas a olhar para outro lado. Tu próprio admites que já não tens por onde ir, já não tens por onde caminhar. Não tens nada a não ser a desgraça familiar que te caiu em cima. Não tens vida.
O que te resta? Não ouves as perguntas a ecoarem, cada vez mais alto? As perguntas das poucas pessoas que ainda não te abandonaram, as perguntas que lhes ecoa na cabeça. O que te resta? A fé num futuro onde o plano é ganhar uma lotaria qualquer para que tenhas o dinheiro sem esforço? Encontrares maneiras momentâneas de te sentires em paz contigo próprio para viveres mais um dia até que caias novamente no mesmo buraco, sem te aperceberes que estás, irremediavelmente a andar em círculos? Odeias o teu trabalho mas estás de tal maneira na merda de que anseias pelos dias de semana, anseias por aquele momento da manhã em que acordas no meio da tua própria rejeição para ires trabalhar. Porque não tens mais nada! Tens vários refúgios, até os abandonares porque acabas por te aperceberes que mais cedo ou mais tarde, nenhum refúgio te vai proteger da verdade. A verdade é que não tens nenhuns fantasmas à tua volta, apenas é mais fácil para ti acreditares nisso. A tua família não foi amaldiçoada por nada de sobrenatural. Apesar do absurdo, essa era a explicação mais lógica, mais racional e sem sombras de dúvida, a mais fácil. Sempre o caminho mais fácil e sempre o eterno preguiçoso que aponta o dedo para tudo e todos mas que vê antes se não está nenhum espelho por perto. Pois agora, aqui estamos nós. O teu espelho. Agora não consegues fugir do teu reflexo. Consegues encará-lo? Será que consegues? Mais uma fuga com sucesso imediato no entanto breve. Olha para ele e vê que tudo na vida foi assim. Sucesso imediato, mas breve. Tens tanto medo de desiludir as pessoas que é isso que acabas por fazer, para teres um prazer mórbido de veres que tinhas razão em ter medo, que não foi em vão. Como é que alguém te pode amar? Como é que alguém te pode sequer respeitar? Se tu não te dás ao trabalho, como é que os outros o poderão fazer? E para quê? Todos os crimes que cometeste contra ti, cometeste contra nós e chegou a altura de dizer basta. Basta de medo, basta de culpa, basta de dor, basta de solidão, basta de raiva, basta de dor, basta de loucura.

B A S T A

D E

T I!!!

LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE

Até que a sintas! Até que todos os sintamos.
Mas tu já não sentes mais nada, pois não? Estás muito cansado. Descansa do fardo da vida já que provaste a ti próprio seres indigno dessa simples tarefa. Descansa, que este é o teu último dia. Não mais coitadinho de ti. Não mais vazio, insignificância sem sentido, existência absurda.

Acabou!

Falhaste!


26 de Junho de 2008

Mais de 15 mil euros em dívidas e eu desisto de contar. Apetece-me desistir de tudo. E quanto mais se remexe, mais a merda vem ao de cima. Os processos judiciais multiplicam-se e eu não aguento mais. Porquê este castigo? Não aguento mais ver a minha mãe assim e eu não sou capaz de lhe dar o mínimo de força. Dizer o quê? Que é sempre esta merda desde que nasci? De que apetecia-me não ter nascido? Que não consigo calar mais as vozes que dizem que a culpa é toda minha? De que nada vai realmente mudar? Nunca mudou... os anos passam, os empregos mudam, mas o problema é sempre o mesmo.

A M E S M A H I S T Ó R I A D E S E M P R E

Sinto-me encurralado e amordaçado, preso a um sítio qualquer enquanto a água sobe e eu não consigo libertar-me. Quero libertar-me e não consigo, não consigo libertar-me. Sou um inútil e não há nada que consiga fazer. Apenas olhar enquanto me afogo. Gostava de me afogar sozinho mas a minha família inteira está na mesma situação. O único que está mais distante é o meu irmão e ainda bem para ele. Ainda bem para ele, mas mesmo assim, pode ser afectado. Estou farto disto tudo. Não aguento olhar mais para os meus pais e não aguento mais olhar-me ao espelho. Nunca senti tanto cansaço antes, nunca mas nunca antes estive com tanta vontade de desaparecer. Não há nada. Eu tornei-me o grande vazio, não existe nada dentro de mim. Estou a cair sem parar no meu próprio abismo. Foda-se, para quê tentar arranjar maneiras bonitas de pôr isto?
Quero morrer. E estou cansado demais para me tentar impedir de o fazer.
Cansado do meu cansaço e a chegar pela primeira vez a um ponto que não aguento mais.
Não aguento mais ser vencido por coisas que não vejo, que me influenciam, que me torturam a mim e à minha família. Não aguento mais os mortos serem a minha companhia quando todos os vivos fogem de mim. Alguma coisa vai ter de mudar amanhã, algo para me prender aqui, porque se nada muda... eu desta vez, inconsciente ou conscientemente, não volto mais.