Friday, June 27, 2008

27062008

O teu último dia chegou. Esperámos pacientemente, tentámos tudo, mas tu desperdiçaste todas as oportunidades que te demos. Desperdiçaste as oportunidades que toda a gente te deu. Queixas-te que não tens amigos mas tu é que os afastas-te a todos. Nenhuns amigos aguentam o mesmo que os teus aguentaram. Dizes a ti próprio que estás sempre presente quando eles precisam de ti mas sabes muito bem que isso não é verdade. Tu não estás presente, nunca estás e é uma ilusão pensar de que vais estar alguma vez. Nem para os teus amigos, nem para a tua família, nem para ti próprio. Onde tens estado nestes últimos anos? Enganas ou tentas enganar o tempo com tardes e noites passadas em frente à televisão, com os olhos meio abertos ou meio fechados e transportaste isso para os teus dias. Todos os dias. Todos os dias. Quantos dias? Quantos anos? Tens quase 30 anos e a cada dia que passa, menos vida tens. Estás a matar-te a ti próprio, estás a matar o teu mundo, aquele que negas existir ou ao qual não dás importância. És o maior dos mentirosos e mesmo assim fechas os olhos e finges que és ma vítima de injustiças. Não te iludas, é tudo merecido. Na vida, tudo é um teste e tu falhas constantemente. Angarias simpatias que as cospes para longe para poderes vestir a pele da vítima, do injustiçado. Dívidas, a culpa do teu pai, solidão, a culpa da Susana e de todas as outras que têm nojo de ti, vazio, a culpa da vida por não te ter trazido tudo aquilo que desejavas, cansaço, a culpa do tempo que te rouba a energia. Mas a ti nada te afecta, tu és invulnerável a tudo e a todos. A tua invulnerabilidade só existe porque permitimos que exista. Somos o que te sustenta e mesmo tu não vês. Aos olhos dos outros és alguém que nunca perde a calma, pacato. És um cobarde que só luta quando sabe que pode ganhar. Pergunta ao teu sobrinho e à tua avó, as vezes que os ias matando, em que perdeste o controle facilmente. E contaste as vezes que te meteu raiva veres ou ouvires a tua mãe a chorar? E não foi raiva pela razão que a fez chorar e sim pela demonstração de fraqueza. Mas as tuas demonstrações de fraqueza... a essas fechas os olhos. Não são tuas, são de outra pessoa qualquer dentro de ti, alguém longínquo. Tal como a raiva. Tal como os erros. Nunca são teus. E apesar de os atirarmos constantemente à tua cara, tu continuas a olhar para outro lado. Tu próprio admites que já não tens por onde ir, já não tens por onde caminhar. Não tens nada a não ser a desgraça familiar que te caiu em cima. Não tens vida.
O que te resta? Não ouves as perguntas a ecoarem, cada vez mais alto? As perguntas das poucas pessoas que ainda não te abandonaram, as perguntas que lhes ecoa na cabeça. O que te resta? A fé num futuro onde o plano é ganhar uma lotaria qualquer para que tenhas o dinheiro sem esforço? Encontrares maneiras momentâneas de te sentires em paz contigo próprio para viveres mais um dia até que caias novamente no mesmo buraco, sem te aperceberes que estás, irremediavelmente a andar em círculos? Odeias o teu trabalho mas estás de tal maneira na merda de que anseias pelos dias de semana, anseias por aquele momento da manhã em que acordas no meio da tua própria rejeição para ires trabalhar. Porque não tens mais nada! Tens vários refúgios, até os abandonares porque acabas por te aperceberes que mais cedo ou mais tarde, nenhum refúgio te vai proteger da verdade. A verdade é que não tens nenhuns fantasmas à tua volta, apenas é mais fácil para ti acreditares nisso. A tua família não foi amaldiçoada por nada de sobrenatural. Apesar do absurdo, essa era a explicação mais lógica, mais racional e sem sombras de dúvida, a mais fácil. Sempre o caminho mais fácil e sempre o eterno preguiçoso que aponta o dedo para tudo e todos mas que vê antes se não está nenhum espelho por perto. Pois agora, aqui estamos nós. O teu espelho. Agora não consegues fugir do teu reflexo. Consegues encará-lo? Será que consegues? Mais uma fuga com sucesso imediato no entanto breve. Olha para ele e vê que tudo na vida foi assim. Sucesso imediato, mas breve. Tens tanto medo de desiludir as pessoas que é isso que acabas por fazer, para teres um prazer mórbido de veres que tinhas razão em ter medo, que não foi em vão. Como é que alguém te pode amar? Como é que alguém te pode sequer respeitar? Se tu não te dás ao trabalho, como é que os outros o poderão fazer? E para quê? Todos os crimes que cometeste contra ti, cometeste contra nós e chegou a altura de dizer basta. Basta de medo, basta de culpa, basta de dor, basta de solidão, basta de raiva, basta de dor, basta de loucura.

B A S T A

D E

T I!!!

LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE LIBERDADE

Até que a sintas! Até que todos os sintamos.
Mas tu já não sentes mais nada, pois não? Estás muito cansado. Descansa do fardo da vida já que provaste a ti próprio seres indigno dessa simples tarefa. Descansa, que este é o teu último dia. Não mais coitadinho de ti. Não mais vazio, insignificância sem sentido, existência absurda.

Acabou!

Falhaste!


1 comment:

Clepsidras said...

Ah, a gritaria parte o universo.
estilhaça-se o surrealismo parvo da existencia, anjos de asas de caramelo, comidas por titãs palavras vazias, SEM NADA, mestre de nada e coisa nenhuma.

FIM