Tuesday, December 25, 2007

25 de Dezembro 2007

Fomos todos almoçar à casa da nova namorada do meu irmão. A família é simpática, a filha dela é que não parecia muito satisfeita de nós lá estarmos, mas compreende-se... ela ainda não aceitou a separação da mãe. OS meus pais já tiveram alguns problemas e sou sempre sensível a esse aspecto. De qualquer maneira acabou por correr tudo bem... tenho andado a pensar numa maneira de encontrar alguma paz, eu tenho de ter alguma paz, não consigo viver sobre esta pressão, nem sei de onde ela vem. Eu tenho de acabar com isto. E não adianta desculpar-me com o trabalho, não adianta dizer que noutro emprego isto vai melhorar porque se for a olhar para trás, eu não tentei me suicidar por causa deste emprego. Quando não era a Susana, eram os problemas de dinheiro, quando não eram os problemas de dinheiro, era a solidão. Algo dentro de mim está revoltado, algo dentro de mim revolta-se contra mim próprio, nunca está satisfeito com o que faço, nunca está satisfeito com o que sou, nunca está satisfeito com o que me rodeia. Foda-se, eu queixo-me da solidão mas eu tenho os melhores amigos ao meu alcance, basta chamar por eles. Eu não faço um caralho por eles, nunca fiz. Nada, zero! Ando sempre a lamentar-me da Susana ter-me trocado por um palhaço qualquer mas o facto é que eu nunca lhe dei o devido valor. Ela esteve sempre presente para mim, sempre! Desafiou como pôde as suas próprias limitações por uma admiração qualquer idiota que pensava ter por mim. E como é que eu recompensei isso? Com ausência, ausência total. Nós namorámos dois anos e meio e chego à conclusão que ela nunca chegou a conhecer-me. Não por não se interessar, apenas porque eu não deixei. Eu nunca estive lá. Eu nunca estou cá, nesta merda de corpo. Nunca. Está preenchido por alguém que ainda gosta menos de mim do que eu próprio. Se eu não me matar a mim próprio primeiro, mata-me ele.

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