Tuesday, October 2, 2007

02 de Outubro de 2007

Mais uma noite mal dormida. Questiono-me se preocupo-me realmente assim tanto? É a explicação mais plausível para dormir mal... para quem está de fora. Duvido sinceramente que seja isso. Ou pelo menos que seja só isso. Durante a noite, quando me deito naquela cama, sinto que perco o domínio total de tudo. Até da minha consciência. Quanto mais penso que estou a conhecer-me melhor, a compreender certas coisas que nunca compreendi no meu comportamento e a aceitar-me melhor, esta sensação acaba por se acentuar ainda mais. Sonhos, sempre sonhos que não me deixam descansar. Na maior parte das vezes não me recordo deles. Se ando a sonhar com a Susana, ainda bem que isso acontece, porque essa é uma parte da minha vida que quero deitar para trás das costas e deixá-la lá bem quietinha de maneira que não faça mais mal a ninguém, sobre tudo a mim. Continuo a culpá-la, mais ou menos em segredo, pelo facto de não conseguir ter um relacionamento sério. Correcção: por não conseguir gostar de ninguém a sério. Deve ser o meu espírito masoquista que me deixa estagnado naquela rapariga que quase me destruiu. De alguma forma ainda sinto raiva dela, apesar de a ter perdoado. Isto é estupidez ao máximo, perdoar alguém de que se sente raiva mas é o que acontece. Mais uma vez a velha história da luta interna. Uma parte de mim aceita o que se passou, é natural uma pessoa deixarem de gostar de outra. Mas a outra parte diz-me que se ela deixou de gostar é porque nunca gostou. Que apenas brincou com os meus sentimentos. E ela é tão forte... é tão fácil cair nesse caminho de ódios e raivas. Mesmo agora, que eu acho que disse a mim mesmo que quero deixar essa fase da minha vida bem fechada num cofre qualquer perdido nas profundezas do mar, eu sinto essa raiva a querer apoderar-se de mim. Principalmente cada vez que me deito naquela cama e fecho os olhos à escuridão.

Mas eu engano-me a mim próprio pensando em esquecimentos forçados e fugas elaboradas. Por momentos tenho breves repentes de uma iluminação que suspeito não ser minha. Engano-me com tanta coisa apenas para sobreviver. Engano-me com o cansado. Com o passado que apenas se passa na minha cabeça, engano-me com tudo o que está à mão. E quando penso que tu está acabado, tudo está substituído, tudo está esquecido...
Hoje vi a fotografia dela, numa página pessoal de um amigo meu com quem não falo quase desde que ela acabou comigo. E sinto-me idiota por a merda de uma foto deixar-me neste estado. Suspeitei que alguém andava a brincar comigo, não podia acreditar que podia ter tentado me suicidar. Mas se eu estou vulnerável por uma porcaria de uma fotografia, como posso censurar de que alguém duvide que não tentei me suicidar?
Gostava de ter uma oportunidade para remediar tudo mas essa oportunidade simplesmente não existe.
Quanto tempo vai pensar até ela desaparecer completamente de mim? Terei eu primeiro de desaparecer de mim? Tenho de a matar uma vez por todas.

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