Monday, October 1, 2007

30 de Setembro de 2007

A existência é uma coisa engraçada. A vida que todos nós vivemos e tomamos como garantida até passarmos por algo que pode mudar a percepção que temos dela. A minha está a mudar. Importo-me menos com certas coisas e mais com outras. Apesar de cada vez ligar menos ao lado material, não consigo fechar os olhos ao sofrimento que todas estas dificuldades económicas traz a quem amo. Especialmente a minha mãe. Ela não merecia isto. Os desentendimentos, o desespero e receio pelo futuro tornam-se inevitáveis. Neste fim de semana tenho tentado não pensar nisso. Depois do inferno que foi a semana passada, soube conseguir afastar-me um pouco destes problemas. Mas não há sítio onde possa me afastar o suficiente deles. Por isso não escrevi aqui, não quis mesmo pensar mais nisto. Alguém escreveu... outra vez algo imperceptível... mas sinceramente não me importo mais com isso. Não me importa que façam esta brincadeira idiota comigo de tentar me amedrontar com violações de privacidade, que leiam estas palavras que eu não sou capaz de confidenciar a alguém, não me importa que me julguem. São pormenores, pormenores que eu não quero saber deles. Apenas me importa que consigamos passar por isto tudo. Que não tenhamos preocupações com o termos comida em cima da mesa. Que não tenhamos de pedir dinheiro para evitarmos penhora de bens. Que consiga passar um dia sem ver a minha mãe chorar ou o meu pai a maldizer a (sua) vida. Como tal, acabei agora mesmo de falar com a minha mãe e embora ainda mantenha uma ténue esperança de que vai tudo ficar bem, o horizonte é negro. A tempestade vem a caminho e eu não posso fazer nada a não se rezar que o vento e chuva não levei a cabana onde estou.

Eu ainda tenho fé.

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