Lembro-me de uma altura em que salivava por feriados, fim de semanas, férias. Agora é tudo igual, tudo sempre igual. Mas não desta vez. A Joana veio ter comigo. Veio aqui... ter comigo. Apenas duas pessoas fizeram isso por até hoje. A outra foi a Ana, que tem andado mais ausente por causa do curso dela, mas sei que é uma das pessoas que se preocupa genuinamente comigo. A Joana também é uma dessas pessoas, e também é uma das poucas que ainda não fechei a porta no meu coração. Mostrei-lhe dois sítios de que sempre senti conhecer embora tenha estado lá poucas vezes (acho que tive uma em cada um deles) e falámos. Falámos e falámos. Foi bom, muito bom. Apesar disso, penso que continua a haver coisas que não consigo falar. Não por não confiar nela, mas porque nem saber o que dizer. Tenho uma data de pensamentos e emoções dentro de mim que não sei as dissecar, como faço normalmente. São pensamentos estranhos, como se não fossem meus. Mas este dia correu bem, não me senti incomodado por eles. E soube-me bem re-visitar aqueles sítios e sobretudo a companhia dela. Tenho medo de a perder, de me afastar como me afastei de todos. Por vezes tenho atitudes que não consigo explicar e sempre que alguém se aproxima de mim algo acontece que essa pessoa se afasta. Ou então sou eu que a afasto. Por muito que a solidão seja algo que me deite abaixo, o que faço cada vez mais é abraçá-la. Abraçar os problemas de dinheiro, abraçar o momento em que a Susana me disse que não me amava mais, abraçar a solidão, abraçar o amor não correspondido, abraçar a falta de sentimentos. Abraçar tudo aquilo que me faz chorar. Menos abraçar-me a mim mesmo. Porque de alguma maneira sinto que não o mereço.
Sunday, October 7, 2007
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1 comment:
Curiosamente, há sempre coisas que nunca se sabe como se dizer.
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