Sunday, October 21, 2007

20 de Outubro de 2007

O perigo de me por longe de tudo e de todos é que por vezes, pessoas que não têm necessidade disso, procuram demasiado por mim. Esperam demasiado de mim. E digo coisas baseado em vozes interiores, raivas súbitas nascem dentro de mim e deixo-me levar por essas vozes. Quando a Susana acabou comigo, disse-lhe em raiva que nunca mais iria ser aberto outra vez. Nem a ela, nem a ninguém. E mesmo sabendo pouco tempo depois de que foi algo motivado pela dor de perder aquela pessoa que considerei ser a minha metade, acho que interiormente isso ficou gravado. A começar pela parte óbvia de nunca mais ter relações à distância por todas as fragilidades que isso implica nomeadamente pela ausência. Fragilidades acentuadas quando se fala da minha pessoa, ausente mesmo quando está presente. As pessoas que estão perto de mim e que me conhecem já há muito aceitaram isso. Mas não posso esperar que as que estão longe de mim e não me conhecem o façam também. Pelo menos, que o façam logo. E é essa falta de abertura que sinto que carrego às costas. Quando perdi a Susana... perder... ela nunca foi minha por isso acho que não posso dizer que a perdi. Quando tudo acabou lutei para acreditar que não tinha perdido a melhor parte de mim mesmo. Que o que importava era eu, porque todos as outras pessoas podiam desaparecer tão depressa como podiam aparecer. E fiz um esforço e lutei lutas em prol do meu bem estar. Afinal era de mim que devia tratar, não de alguém que vive a trezentos quilómetros de distância. É disso que não vou abdicar, seja por quem for. Pode-se considerar egoísmo e de certa forma até é. Mas não será também egoísmo dizer "Amo-te" ou "Eu não te amo"?

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