Saturday, September 29, 2007

290907

A eterna escuridão... procuro por uma luz mas ela parece-me negada. Por vezes penso que é negada por mim mesmo, por estar concentrado no ódio a eles. Aqueles dois que me roubaram a alma e me atormentam esta estranha forma de vida. Volta sempre a mim aquela traição maldita. Aquele momento. O momento que amaldiçoei para sempre. O momento em que me amaldiçoei a mim próprio para sempre. Por breves momentos sinto um pouco de arrependimento... mas aquelas imagens... dela a beijá-lo, atormentam-me e cegam-me. Não há luz, apenas ódio, ódio. E traição. Ela dizia que queria estar sozinha mas o que ela queria apenas era distância de mim, para estar... com ele! E eu arruinei-lhe a vida, aos dois. Contratei uns rufias para o espancarem, tratei com que fosse despedido, levei-o ao desespero. Mas ela continuava sempre do lado dele. Eu não percebo porquê. Eu tirei-lhe tudo. Ele não tinha nada e mesmo assim ela continuou do lado dele. E eu cada vez a odiei mais. Cada vez os odiei mais. Fiquei obcecado com esse ódio. Não conseguia dormir, não conseguia comer, não conseguia pensar. Apenas a imagem deles dois a beijarem-se... a rirem-se de mim. Como pôde ela? Como se atreveu ela?! E a cada dia que acordava, o meu ódio se tornava forte. Até que um dia decidi fazer com que a família dela ficasse sem tecto e fiz com que o pai dele fosse preso por roubo. Com o meu poder de influência, foi fácil fazer com que a minha vingança fosse avante. Mas eles continuavam a beijar-se... e a rir de mim. Cada vez que eu fechava os olhos.

Ele mata-se. Deixa uma carta para ela, a declarar que não aguentava não lhe poder dar o que ela merecia, que era um fracasso de pessoa. Que ela devia estar comigo. Claro que a carta foi escrita por mim. E ela cai nos meus braços, chorosa. Estou presente e vejo o espírito dela a definhar. A cada dia que passava, ela morria mais um pouco. Acordava a chorar e limpava as lágrimas para eu não ver. Tentava esboçar um sorriso por cada vez que eu lhe dava um carinho. Mas era um sorriso vazio. Morto.

E ela morreu. Tudo se tornou negro. Ainda mais negro. E apesar de tentar ver para além da escuridão...

... eu continuava a ver os dois a beijarem-se.

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