Saturday, March 22, 2008

21 de Março de 2008

Sexta feira santa. Para mim qualquer desculpa é boa para não trabalhar, mas este soube-me relativamente indiferente. Como tenho vivido a minha vida. Indiferente. Ao sol, à chuva, saúde e doença, convívio e solidão. O entusiasmo morreu há muito, muito tempo. Claro que senti uma certa vontade por este dia chegar, afinal era menos um dia que ia trabalhar mas agora que chegou ao fim, acabou por ser mais um dia que passou. Estou preso à normalidade e banalidade dos dias e hoje, tal como ontem, a sensação de me encontrar adormecido à espera que me acordem é enorme. Estou a começar a ver todos os acontecimentos do mundo exterior como meras distracções cujo seu único objectivo é distrair-me do que é real. Objectivo, não. Consequência. Preciso de parar, parar para sentir e ver onde estou. Tenho arrepios na minha espinha porque não sei onde estou. Faço tudo de forma automática porque é isso que esperam de mim, é o que é suposto fazer. Para os agradar mas agradar quem? Não há vozes, essa é uma tentativa de controlo recente e eu olho para trás e vejo que sempre fui assim. Sempre tendencioso em cair em formas de submissão diferentes. Medo, mágoa, solidão. Tudo coisas que me levaram a fazer coisas que não queria e a decidir caminhos que nunca quis para mim. Tenho que acordar deste sono, tenho que acordar!
Mas continuo a sentir de que não depende de mim.

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