Sunday, March 23, 2008

23 de Março de 2008

Mais uma noite para esquecer. Além da dor incómoda na boca, tive um frio brutal. Não me recordo de ter sentido tanto frio assim numa noite e nem percebo porquê. Pelo o que consultei das temperaturas, não houve uma queda acentuada mas o que é certo é que eu rapei um briol descomunal. Domingo de Páscoa é igual a outro domingo qualquer que só não é igual ao Sábado porque Segunda-feira é dia de trabalho. Mas foi pacífico. Guardo sempre para o Domingo, uma reflexão qualquer, uma busca qualquer que acabo por nunca a fazer por se tornar tarde. São dez e meia da noite e eu tenho de ir para a cama porque amanhã tenho de me levantar às seis. Sinto a besta dentro de mim, mas agora está diferente, com menos poder. Ou então eu se calhar estou diferente. Ainda estou a digerir o que vi no meu quarto depois de vir do banho. Disse a mim mesmo que o iria ignorar mas não consigo. Não tenho ninguém com quem falar isto, a única pessoa com quem eu talvez pudesse falar seria a minha mãe mas ela está cada vez mais a tornar-se religiosa e eu não quero que ela pense que o meu problema vem desses lados. Eu tenho que começar a pensar é que não tenho problema nenhum! Bem, eu estava a secar-me quando senti algo atrás de mim. Olhei para trás e não vi nada. Ouço um barulho, volto-me para trás e as revistas que estavam em cima da minha mesa de cabeceira e onde eu costumo por este caderno em cima, tinham caído para o chão. Fiz um esforço por pensar para comigo próprio de que as revistas tinham caído, mesmo quando eu sabia que não havia maneira de elas terem caído sem que alguém tivesse pegado nelas. Apanho as revistas e coloco-as onde estavam, bem arrumadas. Continuo a vestir-me e ouço novamente um barulho atrás de mim. As revistas estavam novamente no chão. E aí eu parei. Não fiz nada por um tempo, apenas fiquei especado a tentar perceber o que se tinha passado. Acabei de vestir-me e fui-me embora. Agora, chego aqui para escrever e ir para a cama e encontro as revistas, com o caderno no topo, no sítio delas.
É melhor não pensar.

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