Estava numa sala onde estavam todos aqueles que amo. Todos. Eram estátuas cinzentas, cobertas de pó. A expressão na cara deles era de horror. Expressões humanas, demasiado para serem estátuas. Uma delas, especial para mim, estava a soltar uma lágrima. Não sei porquê mas aquela lágrima foi sentida como uma faca no peito. Toquei na lágrima e estátua desfez-se em pó. Tentei reagir depressa para impedir a destruição, mas isso só fez com que destruísse outras estátuas em redor. Apesar de não haver nenhum som, ao mesmo tempo, dentro de mim, eu senti o barulho de mundos a morrerem, de montanhas a serem reduzidas a pó. Num piscar de olhos estavam envolto em pó. Cinzas. A lutar para respirar mas as cinzas sufocaram-me. As cinzas do amor sufocou-me até eu deixar de respirar. E por longos tempos eu deixei.
Thursday, April 10, 2008
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