Monday, April 28, 2008

28 de Abril de 2008

Mais uma noite daquelas. Para melhorar acordei exausto com o meu sobrinho aos berros. Deviam ser oito da manhã. Parece que levei com uma panela de pressão na cabeça. Já não consegui dormir e os meus olhos verificaram os cantos escuros do quarto com a pouca luz que entrava através dos buracos das persianas. Dei por mim a fazer algo que fazia quando era miúdo, olhar para o escuro e ver as formas que ele conseguia criar na minha cabeça. Assustava-me imenso, nunca o conseguia fazer por muito tempo. Engraçado ver que esse sentimento não desapareceu por completo, continua a assustar-me, não sei se é por as imagens que vejo agora serem bem mais assustadoras. Tudo sombras que parece que movem. Quando eu me assustei mais foi quando vi um reflexo, como se fosse um espelho, a esconder-se para trás do armário. O movimento foi tão rápido que foi impossível para mim não mandar um salto da cama. Acendi a luz de imediato e caminhei lentamente para o armário. Não estava lá nada. O meu dia foi passado sempre atento a qualquer som estranho, fechava a porta do meu quarto, ouvia um barulho, ia logo a correr para ver o que se passava. Cheguei a assustar a minha mãe com isso. Sempre tive medo do escuro pelas formas que a minha imaginação criava e dizia ao meu cérebro que era aquilo que os meus olhos viam. Acho que agora tenho medo de descobrir que a minha imaginação não tem nada a ver com o caso.

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