Por mais que se tente, certos dias simplesmente nada bate certo. Eu sei que continuo a lutar contra mim próprio e a alternar entre o atirar-me para o abismo e o querer desesperadamente sair dele. Dividir para reinar. Deve ser a táctica, seja de quem for. Às vezes torna-se tudo tão claro, consigo perceber perfeitamente outras presenças, consigo sentir eles a passarem por trás de mim, a segredar-me ao ouvido, a esconderem-se nas sombras. Mas noutras... desaparece tudo. Fico apenas sozinho. Nessas alturas estranho, engano-me a mim próprio para ouvir as vozes quando não as ouço, duvido da minha sanidade, penso que estou louco por pensar que estou rodeado de fantasmas que falam comigo. E quando começo a estabilizar... as vozes aparecem outra vez. Hoje apareceram-me dois problemas que eu sei que vão me rebentar na cara. Pressinto-o. E sinto-me estúpido. Ontem queria foder-me completamente, que tudo se fodesse. Hoje venho para casa com uma angústia devido a dois problemas que até se podem resolver. Mas eu parto sempre do princípio mais negativo. É mais forte do que eu, sempre foi. Desde sempre. Não sei se me foi incutido, se foi uma protecção minha perante a infância atrofiada que tive. Não interessa, mais uma vez. Em momentos específicos, este pânico apodera-se de mim e deixa-me sem respirar. Vai e vem sem motivo, ou por motivos que tenho tendência a achar insignificantes. Talvez se eu disser muitas e repetidas vezes de que não tenho motivos para entrar em pânico, reaja de forma automática, embora no fundo, no fundo, saiba que não vale a pena. Mais cedo ou mais tarde, vou estar a cagar-me para tudo e fazer ainda pior. É a conclusão mais frequente a que chego. Não vale a pena.
Friday, April 18, 2008
Subscribe to:
Post Comments (Atom)
No comments:
Post a Comment