É crescente a apatia. Depois de todas as transformações e de todos os problemas, o resultado é este. Uma espécie de pessoa, com paranóias agravadas e falta de apetite pela vida. Mais um dia, mais um dia, mais um dia. Tudo igual, tudo na mesma. Até às vozes já me habituei. E elas a mim. Cada vez me isolo mais e a única companhia que não deixo de ter é aquela que ninguém vê. Como uma sombra que anda sempre comigo, onde quer que vá. A minha mãe disse-me à pouco tempo, quando explodiu por não aguentar mais o estado corrente das coisas, de algo que me fez identificar com isto. Ela disse-me que antes de se casar que as coisas na casa dos meus avós nunca estiveram bem, que só começaram a ficar melhor quando ela saiu de casa. Que sempre sentiu uma sombra a acompanhá-la, cá em casa. A impedir que as coisas ficassem bem, a tornar as coisas más. Irrita-me quando a minha mãe fala assim, com um espírito derrotista, mas acho que a principal razão de me irritar com isso é porque eu também ser assim. Na altura com a irritação nem tomei muita atenção naquilo que ela disse, mas agora... agora faz todo o sentido.
Sunday, April 13, 2008
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