Sunday, April 27, 2008

25 de Abril de 2008

Liberdade. O dia da liberdade. Essa palavra cada vez tem menos significado para mim. Passei a noite em branco e andei durante o dia como um zombie. Ouvi gritos durante a noite mas não liguei. Para quem ouve vozes, ouvir gritos não é nada do outro mundo. Soube depois que tinha sido a minha mãe. Tem andado com pesadelos já há algum tempo. E eu a pensar que os gritos vinham da minha cabeça. Talvez tenha que começar a acreditar que estas merdas todas existem mesmo, de que não sou eu que estou a ficar maluco. Tenho mesmo de ficar mais atento ao que se passa porque estes pesadelos da minha mãe não são simples pesadelos. Ela sonha constantemente com pessoas mortas, já não consegue descansar há vários dias. Não vou pensar o facto de isto me ter passado ao lado porque já seria de esperar mas pelo menos foi eu que notei que ela estava com uma cara terrível, cansada. Perguntou-me se não a tinha ouvido a gritar durante a noite. Eu disse que sim mas não consegui explicar o porquê de não ter feito nada. Ela acabou por soltar um desabafo, em como se ela morresse nesta casa, ninguém ligava. Apesar de me ter magoado a forma como ela disse aquilo, sei que não era completamente falso. Bem, pelo menos, acho que o meu pai deu conta. Difícil seria se não desse. Levantei-me cedo por estar farto de não conseguir dormir e ainda apanhei os meus pais antes de saírem para a casa do meu irmão. Fiquei o dia todo em casa mas não me senti sozinho. Senti mesmo que estava acompanhado, com mais de uma pessoa. É ridículo admitir isto mas por diversas vezes corri a casa, de repente, para tentar surpreender alguém. Obviamente, não encontrei ninguém. Enfim... um dia igual aos outros.

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