Tuesday, August 7, 2007

06 de Agosto de 2007

Não me recordo de nada dos últimos dias. Acordei nesta cama de hospital e tinha o caderno em cima das minhas pernas. A enfermeira disse-me com um ar seco que me tinha tentado suicidar, quando lhe perguntei o que se tinha passado. Mas eu não me recordo de nada! O caderno foi escrito, mas mais uma vez não entendo o que foi lá escrito. Eu lembro-me do dia quando escrevi pela última vez aqui, mas o resto não me consigo lembrar. A minha família veio toda. Apesar dos seus sorrisos, não consigo deixar de sentir que algo está mal. Como se eles quisessem ser agradáveis, com medo da minha reacção. O meu pai falou comigo como já não falava há muito tempo e a minha mãe, embora não parasse de dar graças a Deus, mostrava-se algo triste. Talvez tenha sido apenas impressão minha, não sei. Ainda estou meio zonzo. Quando perguntei o que se tinha passado, todas as expressões se tornaram sérias. Os meus pais, os meus amigos - o Pedro, a sua namorada, Neuza e o Paulo - o meu irmão e os meus tios. Todos olharam para mim com mágoa, como se lhes tivesse feito recordar algo que eu tinha feito, algo que eles lutavam para se esquecer. Mas eu não me recordo! Eu juro! Porque é que eu me iria tentar suicidar? E ninguém me respondeu. Eu insisto e os meus pais começam a chorar. O meu irmão olha para mim como se me quisesse fulminar. Algumas vezes senti que o meu irmão tinha ciúmes de mim por eu ser mais novo e ser o protegido de todos. Mas não foi ciúmes que eu vi nos seus olhos. Foi raiva.

O que fiz eu...? Eu não me consigo recordar...

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