Monday, August 27, 2007

27 de Agosto de 2007

Eu não devo gostar mesmo de trabalhar. É a única explicação plausível que encontro para ter sonhos destes numa noite de domingo para segunda. Deve ser o trauma de pensar que vou acordar cedo e ir para um sítio... trabalhar. Não que eu não goste o que faço. Como já disse a muitos amigos meus, até agora não houve nada que me desse tanto prazer a fazer (e a ser pago para isso, claro) como o que faço agora. Apenas não é algo que me preencha. Mas claro o ser humano é incompleto por natureza e procura sempre algo melhor. E deve ser por causa disso que eu tenho sonhos idiotas. E reais. Se os outros com a mulher-meio-Susana-meio-mulher-que-não-conheço-mas-que-sinto-que-sim eram reais por me deixarem convencido que o que vivi no sonho era um complemento da realidade. Que eram memórias que eu tinha de algo que realmente vivi. Mas este foi um pouco mais além. Este eu senti fisicamente, que era real.
Como é já hábito, não me recordo muito bem o que sonhei. Sei que estava nas escadas do meu prédio, seguia o Paulo e de repente a respiração começa-me a faltar e tudo a ficar negro. Suores frios e embora ouvisse tudo o que estava à minha volta, não conseguia falar. Senti-me a morrer e soube como era porque não era a primeira vez que morria. Se a doutora apanhar este caderno, manda-me logo para uma cela acolchoada com direito a smoking branco. Lembro-me de ver uma ténue luz, a pouca luz que entrava pelos meus estores de madrugada – deviam ser umas 4 ou 5 da manhã – e ao mesmo tempo ouvir as vozes do Paulo, da sua mãe e seu pai de volta de mim. A partir daqui a minha memória torna-se um pouco mais turva, lembro-me de dizerem que estava pálido... de beber água com açúcar, de alguém me dizer que tinha sido possuído, que estava a ser acompanhado por alguém que seria impossível me livrar. Estava marcado em mim, como uma tatuagem em sangue, impossível de retirar. E recordo-me de uma palavra ecoar no meu cérebro. Tenho quase a certeza de que é esta a palavra...

Ison

O que raio é um Ison?

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