Thursday, August 23, 2007

23 de Agosto de 2007

Sinceramente, já não sei o que fazer. Hoje sonhei outra vez com ela. Uma pessoa diferente mas era ela. Eu estou a ler aquilo que escrevo e sei que não faz sentido nenhum, mas não consigo explicar. Tive um sucessão de sonhos que de alguma forma estavam relacionados uns com os outros. E vi-a. Era extremamente parecida com a Susana, na face, nas expressões, no cabelo, no sorriso. Mas de alguma forma, diferente. Foi amor à primeira vista, identificação imediata, como duas almas há muito separadas se encontrassem novamente pela primeira vez. Foi tão real... odeio esta sensação. Odeio! Apesar de não me recordar exactamente de todos pormenores, lembro-me disto, algo que nunca esquecerei enquanto respirar. Ela disse-me quando estávamos juntos, deitados na mesma cama:

Não me olhes nos olhos, porque eles são o vazio

Recordo de duas linhas no mesmo sonho. Uma em que me agarro a ela, sem a olhar nos olhos. E ela desaparece, como se nunca tivesse olhado. Outra em que olho e vejo uma mulher idosa. Grito antes de a minha mente sair do meu corpo, como se fosse puxada para um túnel. E de ter ficado um vegetal sem raciocínio, sem mente.
Não sei o que isto significa mas acho que não quero descobrir. Estas brincadeiras com o meu subconsciente só fazem com que tenha noites perdidas a sonhar e não são mais do que manifestações de emoções que não são libertadas durante o dia. Nada mais do que isso. Já parei de acreditar que as respostas para a vida e para a morte se encontram no meu subconsciente.
Eu e o Bruno, meu amigo e colega de trabalho, fomos almoçar com uma amiga nossa, a Marta, com quem me envolvi por acaso, após a Susana ter acabado comigo. Na altura era a pessoa menos indicada para ter uma relação amorosa e ela foi uma das minhas vítimas. De qualquer maneira ela conseguiu ultrapassar o desgosto melhor que eu e foi para França onde conheceu o namorado que em breve vai ser marido... o que me faz lembrar que ainda não respondi ao convite do casamento dela, a vontade não é muita... Ela lembrou-me novamente, mas eu não sei ainda se vou ao casório ou não. Ela está cá por uns dias, devido ao falecimento da sua tia e não queria voltar para França sem estar com o velho grupo. Tentou organizar um encontro com o pessoal todo mas apenas eu e o Bruno conseguimos vir – provavelmente por estarmos apenas nós dois a trabalhar. Já tinha saudades dela e foi bom. É sempre bom estar com ela.

Hoje também foi o dia de aniversário do João, alguém que também sinto falta e de quem me afastei um pouco desde que a Susana acabou comigo. Ele foi/era a ponte entre mim e ela. De muitas coisas em comum acabámos por separar caminho um pouco. Mas continua a ser uma pessoa muito importante para mim, apesar de nem sempre o demonstrar. Quando e a quem é que o demonstro também? Ele não soube da minha recente estadia no hospital psiquiátrico, mas também é algo que não quero partilhar com ele. É estranho mas por vezes sinto que ao falar com ele, estou a falar com ela. Talvez seja por isso que me afastei um pouco.
Falar com o João e o estar com a Marta deu para distrair um pouco. Consegui esquecer o cansaço de ter dormido mal mas não consegui esquecer aquele rosto, tão familiar, tão parecido com o da Susana. Pela primeira vez vi-lhe o rosto. E acabo por voltar sempre aqui. Ao rosto dela e da Susana. O rosto de alguém que sinto que conheço e não conheço simultaneamente.
Foda-se. Andei com aquela gaja o dia todo na cabeça e nem no final do dia deixo de pensar nela. Esta noite acho que vou tomar uns calmantes a ver se consigo dormir e principalmente, NÃO sonhar.

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