Estou de volta a casa. Parece que estive fora dois anos... os dois anos em que se calhar não estive mesmo cá. Sinto os ventos de mudança a correrem, nem sei porquê. Os meus pais pareciam genuínamente felizes por me verem de volta e preocupados com o bem estar. Espero que não continuem sempre assim, é capaz de se tornar negativo. Quero seguir em frente, esquecer o que aconteceu. Eu nem me lembro do que aconteceu por isso o esforço, não tem de ser muito. Estive com o Paulo e também foi bom... penso que será muito difícil evitar a preocupação das pessoas, afinal elas gostam de mim é natural que se sintam preocupadas. Acho que grande parte da culpa é minha. Nunca falo de mim e isolo-me. As pessoas quando não se sabem o que se passa apenas podem tentar adivinhar e se antes achavam que estava tudo bem, agora estão a pensar de que algo está mal. Se calhar é um certo sentimento de culpa, de acharem que falharam comigo... não sei. Nunca pensei que fosse importante para tantas pessoas. Eu adoro-os a todos, mas tenho estado tão ausente... que nunca julguei que eles ainda estivessem presentes.
Acho que o único que não tem estado presente sou mesmo eu.
Acho que o único que não tem estado presente sou mesmo eu.
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