Não olho no espelho. Não sei se é por não lavar a cara, não sei se é por não me pentear mas o ritual de me olhar no espelho não existe no meu dia-a-dia. Acho que já escrevi isto aqui... algures. Não sei, é fácil repetir-me quando só falo de mim, é fácil repetir-me com a repetição. Ao olhar para o espelho tive a sensação de sempre de não reconhecer a pessoa que estava à minha frente. O que me surpreendeu foi quando a pessoa começou a falar comigo, só que eu não a conseguia ouvir. Cada vez mais tornou-se mais agitado e agitado por eu não o conseguir perceber, pelo menos foi o que me pareceu. Quanto mais agitado, mais devagar ele se mexia, até ficar parado. Parado na imagem, na minha imagem, no meu reflexo. De olhar para mim próprio à espera que eu dissesse alguma coisa, à espera de entender aquilo que queria dizer a mim próprio. Se foi mesmo isso, então falhou.
Ou falhei.
Ou falhei.
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