Tal como ontem, a voz despertou-me embora eu já tivesse acordado horas atrás. Dormi mal devido a uma dor estupidamente brutal nos braços. Era como se me tivessem a arrancá-los. Alucinei de certeza, a imagem da Susana não parava de me surgir na cabeça. Porque é que ela só me aparece nestas alturas? Eu sei que ela faz anos em menos de mês e que essa é provavelmente a razão de ela ter voltado, mas porquê voltar num momento de dor? Ok... eu sei a resposta.
Novamente a voz falou-me num tom calmo mas nem por isso conseguiu diminuir a dor. Não percebo que dor é esta, uma dor muscular, mas como se eu não fiz esforço nenhum? Disse-me que queria ajudar-me mas que não podia fazer mais nada, que dependia de mim. Que as portas estavam a cair. Não percebo o que raio significa isto. Não é novidade nenhuma também, se as coisas me passavam ao lado, agora então cada vez passam mais.
O trabalho foi uma merda, por mais que tente por mais que lute, as coisas correm sempre mal. Por mais que tente mudar o discurso acabo sempre por dizer isto. Mas o pior de o dizer é senti-lo. Fez-me lembrar um filme aborrecido que vi anos atrás, um homem fica preso no mesmo dia e é obrigá-lo a viver vezes sem conta, vezes sem conta. A tal história do inferno ser repetição. Ele lá aprendeu a lição, porque há sempre uma porta de saída do inferno, e conseguiu quebrar o seu feitiço do tempo. Com todas as merdas que despejo vezes sem contas nestas folhas, pressentindo e por vezes sabendo mesmo, que me estou a repetir, faz-me pensar que estou numa espécie de inferno, uma espécie de feitiço do tempo inverso. Em vez de ser o tempo que fica parado, comigo a ter hipótese de continuar até encontrar a porta de saída do inferno, sou eu que fico estagnado, sem hipótese de fazer porra nenhuma a não ser ver e queixar-me, enquanto o tempo passa imperdoavelmente, levando-me para longe. Longe, estou tão longe de mim que até me sinto bem em atribuir as culpas de toda a merda a mim próprio. É como se fosse outra pessoa. Mas apenas por momentos, breves momentos.
Apetece-me dizer vão todos para o caralho, mas para além de ninguém me ouvir, sou eu que vou mesmo. Pode ser que vá e não volte.
Novamente a voz falou-me num tom calmo mas nem por isso conseguiu diminuir a dor. Não percebo que dor é esta, uma dor muscular, mas como se eu não fiz esforço nenhum? Disse-me que queria ajudar-me mas que não podia fazer mais nada, que dependia de mim. Que as portas estavam a cair. Não percebo o que raio significa isto. Não é novidade nenhuma também, se as coisas me passavam ao lado, agora então cada vez passam mais.
O trabalho foi uma merda, por mais que tente por mais que lute, as coisas correm sempre mal. Por mais que tente mudar o discurso acabo sempre por dizer isto. Mas o pior de o dizer é senti-lo. Fez-me lembrar um filme aborrecido que vi anos atrás, um homem fica preso no mesmo dia e é obrigá-lo a viver vezes sem conta, vezes sem conta. A tal história do inferno ser repetição. Ele lá aprendeu a lição, porque há sempre uma porta de saída do inferno, e conseguiu quebrar o seu feitiço do tempo. Com todas as merdas que despejo vezes sem contas nestas folhas, pressentindo e por vezes sabendo mesmo, que me estou a repetir, faz-me pensar que estou numa espécie de inferno, uma espécie de feitiço do tempo inverso. Em vez de ser o tempo que fica parado, comigo a ter hipótese de continuar até encontrar a porta de saída do inferno, sou eu que fico estagnado, sem hipótese de fazer porra nenhuma a não ser ver e queixar-me, enquanto o tempo passa imperdoavelmente, levando-me para longe. Longe, estou tão longe de mim que até me sinto bem em atribuir as culpas de toda a merda a mim próprio. É como se fosse outra pessoa. Mas apenas por momentos, breves momentos.
Apetece-me dizer vão todos para o caralho, mas para além de ninguém me ouvir, sou eu que vou mesmo. Pode ser que vá e não volte.
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