Friday, February 8, 2008

08 de Fevereiro de 2008

Mil coisas.
A luz do candeiro da rua perto da janela do meu quarto pisca. A besta está dentro do meu corpo a querer rasgar-me por dentro. A tristeza está nos olhos da minha mãe. A incompreensão nos do meu irmão. A solidão à minha volta e a culpa nos meus ombros. A desgraça financeira iminente. O azar ataca. O stress desgasta-me. O cansaço acumula-se. E eu consigo suportar, digo a mim mesmo que aguento tudo. Que aguento tudo, tudo, tudo, tudo. Faço-me forte enquanto vomito, faço-me de valente quando não consigo comer, esboço sorrisos amarelos para manter as aparências e ilusão que tudo vai bem. E quando uma cargadas minhas costas desaparece, quando há um indício minímo de que a minha sanidade mental não está irremediavelmente perdida, eis que voltamos ao ponto de partida. Onde parece que nunca saí. Se ando a jogar um jogo de gato e rato, de certeza de que sou o rato e o gato é sádico demais para o meu gosto. Estou tão cansado de tantos avanços e recuos que estou a começar indiferente. Mil e uma coisas que mudam e não mudam, ilusões e espelhos que aparecem e desaparecem conforme a vontade de alguém.
A noite passada uma voz disse-me ao ouvido que a culpa de todo o mal na minha vida era minha. Tive um dia de merda.

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