O ponto positivo de andar isolado, longe de tudo e de todos, é que sempre que se reencontra alguém, mesmo que seja alguém que tenhamos deixado de lado na nossa vida, ou que ela simplesmente tenha saído da nossa vida, é sempre uma surpresa agradável. Mesmo quando se julga que elas se afastaram por completo. Acabei por encontrar o Daniel, com quem já não estava à bastante tempo, apesar de sermos vizinhos. E de alguma forma foi estranho sentir de que estamos a atravessar um pouco pelos mesmos receios. Ou melhor alguns receios. Claro que não falei sobre brancas, vozes e nada disso. Mas vi nele a mesma vontade de procurar, de continuar a procurar, por algo melhor. Acaba por ser essa vontade em que me revejo. A vontade que sinto por vezes ser abafado dentro de mim, como se uma voz assassina de esperança me dissesse baixinho ao ouvido "não vale a pena". Ontem durante o dia, andei com essa maldita voz dentro de mim, a impedir-me de pensar. Andei todo o dia miserável, de tal maneira que cheguei exausto em casa. Por pouco ia falhando a minha estação. Ultimamente acontece frequentemente, uma exaustão de uma luta constante contra mim próprio e contra o que estou a fazer neste momento. Às vezes fico na dúvida se é o trabalho que me causa mais stress ou se sou eu próprio. Digo a mim próprio que não adianta mudar porque o problema sou eu, porque enquanto eu não resolver todas estas merdas de anormalidades na minha cabeça, isto me vai acompanhar sempre. Talvez esteja certo... mas o que senti quando o Dani estava a desabafar comigo foi também que não estava totalmente errado em procurar algo melhor. Posso estar a fugir da minha própria sombra mas isso não impede que o faça num ambiente mais tranquilo. Preciso paz e quanto mais a quero, quanto mais preciso dela, menos a tenho. Temos dificuldades económicas, começo a ter falhas a nível de tola, sou despedido, as dificuldades económicas agravam-se e as falhas de tola também, tenho de me agarrar à primeira oportunidade de emprego que surge, emprego esse que curiosamente, é algo totalmente contra a minha natureza. As dificuldades económicas agravam-se mais uma vez assim como as falhas da tola. E eu estou preso entre as duas e um emprego que me mata lentamente.
Friday, February 22, 2008
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