Sunday, February 3, 2008

2 de Fevereiro de 2008

Eu encho-me de ilusões muito rapidamente, sonho demasiado. O meu pai devia ter razão quando me criticava no final da infância por andar sempre constantemente a sonhar. Isso fez com que crescesse para dentro, como revolta. Eu queria sonhar e achava que isso não era errado. Será errado pensar em algo melhor, quando somos fracos demais para ver as coisas boas que temos à nossa volta? Sim, sou fraco. Não consigo arranjar forças na vida que tenho para fazer aquilo que quero fazer, para fazer cumprir os sonhos que tenho. Sonho porque não consigo evitar, sonho porque não quero esta realidade. Cada vez mais a realidade desperta-me com espancamentos que destroiem os meus sonhos. Tudo o que eu queria era dinheiro para tirar-nos desta situação, tudo o que queria era fazer algo que gostasse, sentir-me realizado. O dia de hoje serviu para provar que a cada solução que me aparece, eu trato de a desperdiçar. A minha amiga chateiou-se comigo porque fiz um trabalho de merda, nem sei se ela me vai pagar ou não. Ela ficou furiosa e não a posso censurar, não consigo perceber porque tudo o que tento fazer não resulta. De alguma forma, eu próprio prendo-me a esta situação. A culpa é toda minha, todo o insucesso que tenho, todos os azares... eu não sou uma vitíma na mão dos outros. Sou uma vitíma de mim próprio, daquilo que continuo a fazer sem perceber porquê. Dos meus sonhos que são sempre postos primeiro do que a realidade, do que o aqui e agora. E sinto que voltou tudo ao início.

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