Saturday, May 3, 2008

02 de Maio de 2008

Luzes na minha vista. O tempo passa tão rápido que tudo o que deixa são luzes na minha vista. Tantos planos, tantas coisas para fazer e acaba sempre tudo por ser um nevoeiro de intenções, de sentimentos, de emoções, memórias. Presente, passado e futuro. Todos ao mesmo tempo. Não tenho dormido, vozes, loucura. Custa-me a pensar, dou por mim a dormir depois de ter acordado. Agora, estou a lutar para fazer sentido, para encontrar sentido. Sinto-me drogado, anestesiado, não sei com quê. Costuma-se dizer que as pessoas refugiam-se no álcool e na droga para fugirem, mas estarem adormecidos, entorpecidos à vida. Eu estou adormecido mas mesmo assim eu sinto aquilo que não quero sentir e vejo quem não quero ver. Vejo quem não quero ver. A minha mente fixa-se num ponto e não é capaz de soltar, vejo quem não quero ver. Não consigo fazer sentido, nada consegue fazer sentido para mim. Estou cansado, como sempre, como sempre, como sempre. Apetece-me repetir a minha loucura até esgotar todas as forças que juro não ter. Repetir para fingir que tenho uma vida. Movimento sem pensamento, apenas para os enganar a todos e enganar-me a mim também. Movimento sem pensamento até morrer. Para que me deixem de chatear. Mas eles não me deixam em paz. Nos espelhos, eles andam nos espelhos atrás de mim, constantemente. Nas sombras. Eles estão a arrastar-me para as sombras, lentamente, noite após noite.

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