Thursday, May 8, 2008

07 de Maio de 2008

Debaixo da minha almofada estava uma faca. Acordei sobressaltado, não me recordo se era um pesadelo ou do porquê de ter acordado assim mas estava completamente transpirado, com a pulsação aceleradíssima, o meu coração parecia que queria saltar fora do meu peito. Tentei acalmar-me mas nem sabia como, nem sabia do porquê de estar assim. E aquela faca, debaixo da minha almofada. Quanto mais olhava para a faca mais o meu coração batia. Surgiu-me uma necessidade de ver se os meus pais estavam bem. Nem sei que horas eram, mas lá fora estava escuro ainda. Fui ao quarto deles e estava tudo quieto. A minha pulsação não sossegava. Quando entrei no quarto, um deles mexeu-se. Suspirei de alívio e fechei a porta. Voltei ao meu quarto para ir buscar a faca e levá-la para a cozinha. Estranho ao ver da sala a luz da cozinha acesa. Pensei para comigo mesmo de que teria sido eu, com um ataque de sonambulismo, tinha ido buscar a faca e tinha deixado a luz acesa. Estava alguém na cozinha. Fiquei sem reacção e novamente o meu coração parecia que queria salta do meu peito. Era uma mulher, pelo menos parecia ser uma mulher, estava de costas. Tinha um vestido... vestido velho, antigo que sofreu com a passagem dos anos. Parecia um daqueles vestidos que se usava no início do século passado, não por qualquer mulher, pelo menos não me parecia. Ela era enorme. Fiquei, à vontade, cerca de 5 minutos especado. Não sabia o que dizer, não sabia o que fazer. Tinha medo de descobrir nela a cara que tinha visto, a mulher a rir-se de mim mas pelo tamanho, não podia ser. Ela estava a olhar para a rua, na marquise. Não sei se ela não se voltou por eu não ter feito barulho ou se foi por nem sequer ter importância suficiente para ela se ter voltado. Até que ela volta ligeiramente a cara. A sua pele, branca... branca não, pálida de tal maneira que parecia ser cinzenta ou roxa. Ou as duas. A minha mão levanta-se. A mão que segurava a faca. Empunho a faca e corto os meus pulsos. Grito, embora não sentisse dor física. Não é dor física que me aflige. É algo que vem de dentro. Grito mas não é a minha voz que se faz ouvir. Acordo com o coração a saltar-me do peito. Estou completamente transpirado. Tento recuperar a calma mas é algo que se torna complicado. Os meus pulsos não estão cortados. Lembro-me rapidamente de ir ver debaixo da minha almofada. A faca não estava lá.

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