Wednesday, May 14, 2008

13 de Maio de 2008

Não percebo. Acordei novamente com a pressão no peito. E com aquela puta a rir-se. Começo a evitar o silêncio porque é aí que a começo a ouvir. Tentei sondar a minha mãe para ver se ela nota alguma coisa estranha cá em casa mas também não quis ir muito longe com receio que as superstições dela ainda ficassem mais aguçadas. Mesmo assim acho que as minhas é que deviam ficar. É óbvio que anda alguma coisa por aqui. E é óbvio que é em cima de mim. Apenas em cima de mim. Estava a falar com ela e reparo que a mesa está manchada de sangue. Meu sangue. E ela não reparou. É impossível não ter reparado, estava mesmo à frente dela. Obviamente tentei disfarçar porque sei que era algo que a ia perturbar mas acho que podia estar quieto que seria a mesma coisa. Algo está a acontecer-me apenas a mim. Lembro-me de histórias da minha avó quando era pequeno. A razão de ela ter tanto medo de estar sozinha, de ter medo da noite, dos relâmpagos. Bem medo de tudo. Talvez tenha saltado uma geração, talvez seja agora a minha vez de ver estas merdas e de começar a ser ridicularizado por todos, por causa dos meus medos. Bem me arrependo de o ter feito com ela, mas acho que a história do karma é mesmo verdadeira. A merda que fazes aos outros vai-te bater à porta mais tarde. Sem dúvida.

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