Estou a tentar, o máximo que posso, o máximo que consigo. Estou rodeado de armadilhas e só os ouço a rir. Todos eles riem à minha volta. Só agora consigo perceber que foi sempre assim. Eu não os via... e tudo era passageiro. Mas agora eu vejo-os. Acordei a gritar. Acho que também devo ter acordado o prédio inteiro. Não era um pesadelo. Uma faca estava a espetar-me, alguém estava a espetar-me uma faca. Sempre as palavras que não conheço. Sinto-me exausto não durmo há anos. Quando a minha mãe chegou perto de mim, estava a sangrar. Tinha cortes na cara, nos braços. Por todo o corpo. Ela não parava de repetir a chorar "O que é que tu fizeste? O que é que tu fizeste a ti próprio, filho?". E embalou-me como se eu fosse um bebé no seu colo. Há muito tempo que não me sentia assim protegido. Os meus pais ficaram obviamente preocupados porque partiram do princípio de que me tinha tentado suicidar. Como a minha primeira suposta tentativa de suicídio. Por mais que dissesse que não fiz nada, eles não acreditaram em mim. Notei que a minha mãe queria acreditar mas... bem já é um começo. Estou a preparar-me para ir a uma consulta. Não faço a mínima ideia o que vou dizer mas com um pouco de sorte ficou lá mais umas temporadas. Começo a acreditar que o problema é mesmo esta casa. A minha prisão. Não consegui dormir mais mas passei o resto da noite ou madrugada a tentar concentrar naquele momento em que a minha mãe me embalava. Fechei os olhos e não estava lá mais. Desapareci de mim mesmo. Infelizmente durou pouco tempo.
Tuesday, May 6, 2008
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