Thursday, May 1, 2008

1 de Maio de 2008

Quase três anos. Foda-se, tenho mesmo de deixar esta merda para trás. Não interessam mais aniversários de merdas, de catástrofes. Que dom este de guardar merda dentro de mim quando todos parecem a ter enterrado ou melhor, puxado o autoclismo. Sinto que isto é apenas usado como distracção, para não olhar para o que é realmente importante. Mesmo que eu ainda não saiba o que é realmente importante. Sinto aquela mulher à minha volta. A puta troça de mim nas minhas costas, brinca comigo como se fosse um simples boneco. Mas eu vejo-a, eu estou a estudá-la. Ninguém mais a vê, nem a minha mãe. Mas ela a mim não me engana. Eu sei que é ela que está por trás de toda esta merda, não percebo é porque demorou tanto tempo a aparecer, nem quem eram as outras pessoas, as outras vozes. Talvez estejam todos juntos nisto. A minha mãe continua com pesadelos. Muito facilmente poderia concluir que é devido à nossa situação que cada vez está pior, o que levanta questões delicadas do passado que ninguém quer falar nelas. O meu pai pelo menos não. Sim, seria lógico mas a lógica não me levou a nada até agora e não penso que seja agora que me vá levar à solução. Não é só isso, não são simples pesadelos. Ela passa a vida a ter pesadelos com os mortos, a falar com eles. Não é por acaso, não pode ser. Ela está a tornar-se parecida com a minha avó... hoje vi-a através da porta do meu quarto que estava entre-aberta, a passar e pareceu-me tanto a minha avó, que até me arrepiei. Ainda não me livrei dos sentimentos de culpa que tenho dentro de mim da sua morte. Ela devia ter morrido perto de nós, perto de todos, tal como o meu avô. Não assim, não assim... ainda me recordo de todas as discussões que tínhamos, das... judiarias, tal como ela lhe chamava, que eu lhe fazia. Da maneira como ela me fazia perder o controle. Depois disso, só perdi o controle com o meu sobrinho e acabo por sentir também sentimentos de culpa por não me conseguir controlar. Por vezes, tenho a sensação de que o vou matar mas ultimamente eu tenho vontade matar toda a gente, mesmo aqueles que não me irritam.

No comments: