Sunday, May 18, 2008

18 de Maio de 2008

"Dormi" cerca de 12 horas. Sonhos absurdos mas de alguma forma não eram meus. Pelo menos não me reconheci em nada do que vi ou senti. É estranho, nunca tinha sentido isto, sentir que estava a sonhar sonhos que não são meus. Os sonhos eram como tijolos que estavam a ser postos em cima de mim, pelo menos foi assim que os senti. Tijolo a tijolo, fazendo crescer uma claustrofobia que eu não sentia que tinha. Esse sentimento foi crescendo até que fica tudo escuro e eu acordo com o meu grito. Não era o meu grito, ou melhor a minha voz, mas saiu da minha boca. Sei que os sonhos supostamente só duram meio segundo ou um segundo mas eu podia jurar que quando me deitei praticamente comecei logo a sonhar. Quando acordei com o grito, meu grito, já era praticamente meio dia. A sensação foi ainda mais forte que a branca, mais real. Senti que aquele tempo me tinha sido roubado. Não foi não me lembrar do que fiz nessa altura, foi sentir que dei um salto no tempo, um salto de 10 ou 12 horas. Além de sentir que me foi arrancado o meu tempo, sentir que foi-me arrancado um bocado de mim. Estava à espera que a minha mãe viesse ter comigo mas não estava em casa. Mas pelos vistos os sonhos fizeram-me bem. Acordei sem as cicatrizes nos braços e no corpo. Não és questão de elas terem sarado. Não estavam lá, como se nunca estivessem. Diversas vezes disse que ia fazer isto e que ia fazer aquilo, para ver se parava todas as merdas que ocasionalmente vão caindo em cima de mim. E apesar da minha preguiça, tentei algumas. Nenhuma deu certo. Sendo assim, porque é que continuo a enganar-me a mim mesmo ao dizer que vou fazer isto ou aquilo, sabendo que mesmo que faça alguma coisa, o resultado vai ser, provavelmente o mesmo? Se calhar é a esperança é mesmo a última a morrer. Ou então sou mesmo muito estúpido.

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