Tuesday, May 6, 2008

05 de Maio de 2008

Uma reviravolta, depois de ter largado o caderno, lembrei-me de uma coisa. Finalmente, usar a desgraça a meu favor. Disse que não tinha dinheiro para ir a Lisboa, que tinha gasto os últimos tostões a abastecer o carro que iria dar, em princípio para o resto do mês. Menti. Já senti muitos remorsos por mentir antes, mas agora não é o caso. Sabia como a minha mãe ia reagir, não é a primeira vez que ouço aquela conversa, em como tive azar em nascer nesta família. Como já estava preparado, fui firme ao dizer que estava tudo bem, de que também só se iria gastar dinheiro à toa, porque eles só estão lá para ouvir e para receitar drogas. Que provavelmente a única coisa de que iriam fazer era com que eu passasse lá uns tempos, mas que ela sabia tanto como eu de que foi o que aconteceu da última vez e de que isso não era sistema. Olhei-a nos olhos e disse que estava bem. Devo ter vacilado quando as lágrimas dela começaram a cair, porque lhe pedi desculpa e disse que ela é que não merecia ter um filho fraco. Por mais que tente mentir, acho que a sinceridade vem sempre ao de cima. Acabo sempre por fazer mais mal que bem. Estive o resto do dia em silêncio. Embora continuasse a ouvir os risos.

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