Passei a passagem de ano com os meus pais. Há muito tempo que não passava com eles, assim, desta maneira. Claro que ajudou o facto de estar doente e não poder sair de casa. Também não sei se iria sair se não estivesse doente... Mas acabou por ser bom, positivo. Já me tinha esquecido como era e isto é completamente absurdo mas é verdade. Eu não me lembrava como era estar com os meus pais. De qualquer maneira, quando me levantei já estava como o sistema nervoso alterado, ou seja, a pensar naquilo que estou farto de pensar. Por muito que me intrigue, por muito que queira perceber o que se passa comigo, não consigo deixar de voltar ao pensamento em como seria bom ter mais uma branca de memória para saltar os dias ou horas em que estou no trabalho. Se estivesse começado agora, diria que era provocado pelo meu inconsciente. O meu sobrinho veio ficar cá a casa para a minha ex-cunhada o vir buscar para o almoço. Ele fez algo que teve mais impacto do que muitos gestos que me fizeram. Andava a distribuir chocolates embrulhados em imitações de moedas e notas. Disse a todos que quando comessemos, lhes dessemos os papéis, que era dinheiro que ele ficava para comprar carros - uma brincadeira que ele tem com a minha mãe. Volta-se para mim, dá-me uma "nota" de 5 euros. Depois de o comer, tiro o papel com cuidado para não estragar e vou para lhe devolver quando ele abana a cabeça e diz muito sério:
"Não, é para ti. Para te dar sorte."
Agradeci e por pouco não aguentei as lágrimas antes dele sair do quarto.
Gostava de ter a pureza dele, ser puro nas minhas boas e más acções. O facto de não saber o que faço não faz de mim puro, apenas desorientado.
"Não, é para ti. Para te dar sorte."
Agradeci e por pouco não aguentei as lágrimas antes dele sair do quarto.
Gostava de ter a pureza dele, ser puro nas minhas boas e más acções. O facto de não saber o que faço não faz de mim puro, apenas desorientado.
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