Ontem cheguei a casa e apaguei por completo. Caí em cima da cama, não jantei nem nada. Não me recordo de nada, mas calculo que a minha mãe me tenha posto na cama. Não me recordo. Acordei antes do despertador tocar, no meio de sonhos completamente idiotas. Quando o despertador finalmente tocou, dou em tossir e tive que ir a correr para a casa de banho para vomitar. Sinto-me a definhar por completo. Sem forças, sem energias. E hoje o dia não ajudou nada. Quanto mais me esforço para encarar tudo da melhor maneira, tentar estar desperto e em controle da minha vida, mais ela me prova de que faço melhor se estiver a dormir. Há sempre um problema que surge, há sempre uma merda qualquer que surge quando estou a aumentar a confiança em mim próprio. Há sempre alguém que aparece para me deitar abaixo quando eu estou a acabar de montar os cacos. E tanta força, tanta insistência em pensar para comigo mesmo de que sou capaz de viver como uma pessoa normal está a matar-me aos poucos. Porque por mais que diga que sim, o meu corpo diz que não. A vomitar, a não comer, a tremer como se estivesse nú, sozinho. No mundo. Apenas com ele dentro de mim, a torturar-me lentamente, deixando-me em morte lenta para sentir prazer com o meu sofrimento silencioso. Se pudesse espancar-me a mim próprio para o atingir, iria fazê-lo até morrer. Mas apenas eu sofro. Não ele.
Hoje vou ver se me distraio um pouco, jantar com o Paulo, com o Pedro e com a Neuza. Acho que vai ser bom, mais que não seja pode ser que entre eles consiga comer alguma coisa de jeito. Vai ser bom.
Hoje vou ver se me distraio um pouco, jantar com o Paulo, com o Pedro e com a Neuza. Acho que vai ser bom, mais que não seja pode ser que entre eles consiga comer alguma coisa de jeito. Vai ser bom.
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