Wednesday, January 9, 2008

9 de Janeiro de 2008

Ontem cheguei a casa e apaguei por completo. Caí em cima da cama, não jantei nem nada. Não me recordo de nada, mas calculo que a minha mãe me tenha posto na cama. Não me recordo. Acordei antes do despertador tocar, no meio de sonhos completamente idiotas. Quando o despertador finalmente tocou, dou em tossir e tive que ir a correr para a casa de banho para vomitar. Sinto-me a definhar por completo. Sem forças, sem energias. E hoje o dia não ajudou nada. Quanto mais me esforço para encarar tudo da melhor maneira, tentar estar desperto e em controle da minha vida, mais ela me prova de que faço melhor se estiver a dormir. Há sempre um problema que surge, há sempre uma merda qualquer que surge quando estou a aumentar a confiança em mim próprio. Há sempre alguém que aparece para me deitar abaixo quando eu estou a acabar de montar os cacos. E tanta força, tanta insistência em pensar para comigo mesmo de que sou capaz de viver como uma pessoa normal está a matar-me aos poucos. Porque por mais que diga que sim, o meu corpo diz que não. A vomitar, a não comer, a tremer como se estivesse nú, sozinho. No mundo. Apenas com ele dentro de mim, a torturar-me lentamente, deixando-me em morte lenta para sentir prazer com o meu sofrimento silencioso. Se pudesse espancar-me a mim próprio para o atingir, iria fazê-lo até morrer. Mas apenas eu sofro. Não ele.
Hoje vou ver se me distraio um pouco, jantar com o Paulo, com o Pedro e com a Neuza. Acho que vai ser bom, mais que não seja pode ser que entre eles consiga comer alguma coisa de jeito. Vai ser bom.

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