Friday, January 4, 2008

3 de Janeiro de 2008

Não consegui evitar. Assim que cheguei ao trabalho vomitei. Felizmente sou sempre o primeiro a chegar. Se já devo ter fã do maluquinho que não fala com ninguém, se aparecesse lá a vomitar ainda pensavam que ando metido no pó. Não percebo, não comi nada de manhã. Aliás desde anos atrás que o deixei de o fazer, quando andei à beira de um esgotamento nervoso. Cheguei ao cúmulo de morder uma maçã, começar a dar-me vómitos e vomitar o que tinha acabado de comer. A partir daí nunca mais o fiz, embora nunca tenha andado tão em baixo como nessa altura. Bem, se ontem estava decidido a ganhar controlo da minha vida, não é isto que me vai impedir ou fazer mudar a minha decisão. E como ando completamente à toa, sem saber o que raio se passa comigo, tal como na altura não sabia, nada como comparar os dois momentos para saber o que há em comum. Só tenho o problema de não me lembrar como raio ultrapassei aquilo. É engraçado, apesar de ter sido apenas 7 ou 8 anos atrás, parece que foi numa outra vida, que foi com outra pessoa. Não há praticamente que identifique com o que era 7 anos atrás. Fechei-me por completo do mundo exterior, mas se sei que isso não é saudável também sei que a solução não deve ter sido essa. Talvez tenha sido a consequência. Sinto uma fera dentro de mim, incontrolável. Desejar libertar-se, corroendo-me por dentro. Todos os meus medos, todas as minhas fraquezas, atira-as todas à minha cara, tudo é uma arma para me deitar abaixo. O meu corpo, o meu próprio corpo é usado contra mim. Sinto-o a crescer e cada vez me sinto mais fraco.

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