Sunday, January 20, 2008

19 de Janeiro de 2008

Ainda estou a tentar absorver tudo o que vi hoje. Estive a ver vários anúncios de bruxas, bruxos e gente do género. Após perguntar pelo preço acabei por me desencorajar e a minha voz interior descrente disse-me sem parar de que quando atravesso ou melhor quando a minha família atravessa tempos difíceis, a última coisa onde eu deveria gastar dinheiro deveria ser em algo do género. Obviamente que fiquei desiludido por não ir encontrar as respostas que durante toda a semana disse a mim próprio de que iria encontrar mas agora que estou desperto e a tentar manter-me assim, não iria lançar-me em fantasias de que não tinha a certeza se podia ajudar-me. Saí de casa. Não sei porquê. Saí a pé e fui andando e andando até que cheguei à estação. Curiosamente em menos de 5 minutos pára um comboio. Como tenho o passe que tive de fazer desde que estou neste novo emprego entrei e sabia pelo menos onde podia ir. E ao olhar para a paisagem dou comigo a pensar como estou há 2 meses a fazer esta viagem e nunca vejo a paisagem. É de noite quando vou e quando venho embora ainda seja de dia, adormeço sempre. Não que seja uma paisagem particularmente bonita ou interessante, apenas perdi-me nela. Quando dou por mim já passei os limites do meu passe. Imediatamente entro em pânico, a censurar-me e chamar-me de idiota, de querer poupar dinheiro e arriscar-me a apanhar uma multa por ir a navegar na lua. Acho que todos os meus problemas se limitam a isso. Navegar na lua. Bem, pelo menos grande parte deles. Ao sair no Oriente, sou inesperadamente assaltado com memórias do meu passado com a Susana. A minha grande luta depois do fim da minha relação com ela foi, além de tentar manter-me vivo, tentar não criar sentimentos de ódio por ela. Ou pelo menos não tentar alimentá-los. Então evitei durante mais de dois anos coisas que me fizessem recordar dela. Coisas que me fizessem pensar nela. Ou em nós. Além de ter deixado de falar com ela e de me afastar muito de todos os que têm ligação a ela, tentei fazer de conta que ela não existia. Obviamente falhei. Mas hoje foi bom não sentir rancor quando visitei aquele lugar onde tanta vez nos despedimos tristes por sabermos que iamos estar mais temos incertos sem nos vermos. Incertos e longos de mais. Apenas uma certa melancolia... doce. A minha melancolia há muito tempo que é assassina e destrutiva, por isso foi bom poder sentir algo assim. Apesar de me saber bem, não quis fazer uma visita aos lugares do passado e conforme desço as escadas da estação dou com uma feira junto à entrada do metro no piso inferior. Costuma haver lá vários tipos de feira, a preferida da Susana eram as temáticas por países, sempre esperançada em encontrar algo do antigo Egipto, algo que lhe dizia muito. Calculo que ainda deve dizer... De qualquer maneira, conforme passeei pelas várias bancadas reparo de que o tema desta feira devia ser o ocultismo ou as ciências ocultas. Tinha várias bancadas com a venda de talismâs, pedras, incensos e tinha pequenas tendas com diversas... especialistas no assunto. Desde cartomantes até videntes. Fiquei confuso e pensei para comigo mesmo se tinha sido mesmo eu que tinha tomado a decisão de apanhar o comboio e ir ali parar ou se tinha sido levado a isso. Teimoso, voltei para trás e vim para casa. Apesar dessa hipótese, de ter sido manipulado por algo que ainda não controlo ou sequer conheço, não deixo de ter a curiosidade de saber o que é que tinham para me dizer aqueles que vêem o que ninguém mais vê. Supostamente.

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