Sunday, January 6, 2008

5 de Janeiro de 2008

Não dormi nada de jeito esta noite e não o consegui fazer não por ouvir vozes estranhas, não por sonhar com a Susana ou outra coisa qualquer parecida. Não consegui dormir porque estive preocupado com o trabalho. Apesar do estranho que isto me soa, é sem dúvida positivo. Além do stress que tenho dentro de mim e que não me largou o dia todo, é positivo, significa que realmente estou a ganhar controlo de mim próprio, que estou aqui, a par do que se passa. E se doer e custar, bem, é um preço que tenho que pagar. Tentei puxar pela minha mãe para ela me dizer o que se tinha passado daquela vez quando fomos à bruxa. Mais uma vez ela evitou a conversa. Eu disse-lhe que precisava de ajuda, que estava a tentar ganhar controlo de mim, voltar à vida. Que estava cansado de sentir-me um estranho dentro do meu próprio corpo. Ela não disse nada por longos momentos até eu pedir novamente por ajuda. Ela revelou-me então que os meus olhos mudaram, a vida neles mudaram, como se fosse realmente outra pessoa que estava ali. De certa maneira a maneira de falar também, apesar da voz não se ter alterado muito. Parecia zangado, falava constantemente de uma traição. A minha mãe pensava que eu estava a falar da Susana. Tentei-lhe dizer que alguma coisa se passa comigo, já antes de ter sido despedido mas que não falava disso porque tinha medo que não me compreendessem. Que não tinha tentado suicidar, que não me lembrava nada do que se tinha passado nesse dia, apenas acordei no hospital 3 dias depois sem qualquer lembrança. Ela sugeriu, tal como pensava que iria fazer, que fosse à médica, tentatasse algum tipo de tratamento. E tal como previ, não reagiu bem quando lhe disse que queria chegar lá sozinho. É o que sinto, ninguém me poderá ajudar se eu não conseguir enfrentar isto tudo sozinho, se eu não tentar curar-me sozinho. Talvez não consigo chegar lá tão depressa, talvez chegue às conclusões erradas ou talvez nem chegue a lado nenhum, mas preciso de tentar, preciso de lutar, estar desperto, saber o que tenho. Ser eu. Tomar comprimidos agora não seria mais do que o desejar estar a dormir para que o que quero ultrapassar seja feito rapidamente. E eu sei que isso não resultou da última vez. Eu acho que a consegui fazer entender, espero que sim. Preciso do apoio dela.

No comments: