Mais uma vez falhei. A vida zomba de mim apontando os fracassos das minhas tentativas de acabar com ela à minha cara. Porque é que eu tenho que viver sem o meu amor? Porque é que tenho que estar preso a esta espécie de vida, preso apenas às memórias do passado? Não reconheço as pessoas à minha volta, dou respostas que não compreendo, faço coisas que não me lembro. Tudo que vejo é a cara dela. A cara que me recuso a esquecer e a única coisa que preenche a totalidade dos meus dias. Só queria ter mais uma oportunidade para lhe pedir desculpa, para lhe tocar nos lábios. A cada tentativa para morrer, que penso que finalmente vou estar em paz, a cara dela traz-me à vida. As nossas memórias. E por todo o lado procuro por ela mas não a encontro. Não aguento mais este desespero, de voltar constantemente a esta estranha forma de vida. De existência. Como estivesse preso à força nesta vida e a cada vez que tento sair dela, sou resgastado pela memória de alguém que me deixou para morrer.
Sunday, September 2, 2007
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