Então a situação é esta. Esta família, numa sucessão de erros e azares, viu-se obrigada a contrair diversos empréstimos. Para melhorar a situação, o desemprego bateu à porta. Mais erros e azares depois, chega-se ao ponto de toda a família estar endividada, mal havendo dinheiro para comer e para pagar a renda da casa. Tenta-se mais um empréstimo, ficando às minhas custas. Empréstimo de três ou quatro anos (o início de vida parece estar irremediavelmente destinado a ser adiado – e depois admiram-se de os jovens serem considerados jovens até quase aos 40 anos) mas é algo que consigo ultrapassar se pensar que é para benefício de todos, para um bem maior.
O empréstimo é recusado.
E agora?
Sem alternativas, sem dinheiro, sem perspectivas, sem esperança. Sem nada. O que fazer a partir daqui? A quem recorrer? Máfia? Negócios escuros? O que fazer? O quê? Este... buraco negro, está a crescer cada vez mais e a sugar para dentro dele tudo o que se encontra à volta. E nós vamos na corrente, sem termos nada a que nos agarrarmos. Consigo perceber a minha mãe quando ela diz que se não fosse eu, ela já tinha desaparecido. Eu quero desaparecer, deixar estes problemas todos que herdei para outro. Mas eu nunca fugi das minhas responsabilidades e não vou começar agora.
Portanto...
E agora?
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