Mais uma noite de um lado para o outro. Apesar de não ter sonhos, ou de pelo menos não me lembrar deles, continuo a dormir mal. Também não ajudou ouvir a minha mãe a gritar com pesadelos durante a noite. Já não acontecia há uns tempos. E agora que penso nisso, é engraçado, mas nesta casa sempre houve uma apetência para gritos e pesadelos. Não sei se será de não lidarmos com as coisas no quotidiano... o que é certo é que temos pesadelos com fartura. Até o meu irmão, que já saiu de casa, tinha o péssimo hábito de acordar todos no prédio com gritos de desespero. Curiosamente, desde que se mudou, nunca mais teve pesadelos. A minha mãe nunca quer falar dos pesadelos. Calculo que seja algo tão real que ela não quer acreditar que possa acreditar. Talvez tenha receio que realmente aconteça... ela sempre foi muito supersticiosa, mas também com as coisas que nos acontecem, acho que pouca gente não seria. Bem, eu não sou. Qualquer infortúnio, azar, acidente que nos aconteça, a primeira explicação é que anda algo sobre nós a pairar. Muitas das vezes chamo-a de tonta, que os acidentes acontecem, que são apenas casualidades da vida embora eu acredito que o acaso não existe.
O dia custou a passar para variar, mas pelo menos senti um conforto, o sentimento que trouxe do fim de semana comigo era visível na cara dos meus colegas, acho que ninguém queria estar por lá hoje.
Ou talvez tenha sido apenas uma coincidência...
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