Desperto na noite e a tempestade faz-se sentir lá fora. Porque é que só tenho consciência na escuridão? Uma eternidade de escuridão. Nesta cela. Onde me vejo a mim mesmo fora do meu corpo. Mas não sou eu, é uma outra pessoa. Tento raciocinar mas todas as tentativas me levam directamente à revolta e à loucura. Custa-me a perceber por vezes se já pisei esse fino risco que separa a sanidade da loucura. O passado continua a ser o meu presente e continuo a passar as noites em claro, atormentado por tudo aquilo que fiz e com raiva daquilo que me fizeram. Grito por vingança às paredes mas elas apenas respondem indiferença. Tento abrir as janelas para gritar, para apanhar ar, respirar ar, respirar. Mas não adianta. Continuo preso aqui. No canto desta cela. A ouvir trovejar, ora mais longe, ora mais perto. No meio de uma tempestade que ainda não se iniciou mas que nunca acaba.
Monday, September 17, 2007
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