Saturday, September 15, 2007

13 de Setembro de 2007

Nunca mais me lembrei que amanhã tenho um jantar de aniversário de um colega meu do trabalho. Não é a primeira vez que me obrigo a mim próprio a fazer coisas destas, como se fosse uma tábua de salvação. Parte de mim quer estar sozinho enquanto outra espera e desespera por oportunidades destas. Pelo menos vou tentar me divertir, embora o ambiente não vá ser aquele onde me sinta bem mas acho que ainda está para ser criado aquele onde eu esteja 100%. Tenho que ver as coisas pelo lado positivo. Pode ser que o álcool me faça sentir integrado.

Pelos padrões da sociedade eu deveria estar assustado, afinal estou com quase 30 anos e as perspectivas de futuro que tenho são as mesmas de há 10 anos atrás. Estranhamente, isso não me incomoda minimamente. O estar só, ter um emprego com ordenado miserável. Tenho todas as razões para me revoltar contra este estado mas não o estou. Não que esteja conformado... conformado com o quê? Cansei-me de me preocupar. Tanta vez me preocupei com o futuro, quando estava com a Susana, tentar planear as coisas da melhor maneira. E olha a recompensa. Que se fodam os planos, que se foda a sociedade e que me foda eu quando me armo em carneiro preocupado em constituir família. Seria um péssimo pai. Então para quê me preocupar com preocupações que não são minhas? Se não sair de casa durante um ano, qual é o problema? Porque é que hei-de fazer a minha pautar-se pelas preocupações dos outros? “Não podes isto, não podes aquilo, tens que fazer isto, tens que fazer aquilo, porque é suposto...” Porque é suposto? É suposto eu morrer depois de viver, não ir morrendo cada vez que me dizem como viver. Sei que tenho problemas que me afectam e ainda não sei em que medida, sei que aquilo que me recuso a aceitar do passado de alguma forma me enfraquece todos dias, divide-me. Mas cada vez mais vou lutar para aceitar o que sou e nunca mais construir castelos de areia no ar baseado em algo que dizem sentir por mim. Aceitar o que aconteceu por muito que cada vez que tento fazer isso, parte de mim expluda em raiva, desconhecida em mim. Andar no limite se isso me fizer sentir melhor, não andar, pura e simplesmente se me apetecer. Fazer o que entender. Ninguém mais me vai prender outra vez.

Amanhã vou a um jantar de aniversário. Não me apetece muito ir, mas apetece-me menos ficar em casa. Chega.

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