Hoje a minha sobrinha faz anos. 5 anos. Como o tempo passa rápido... O mundo deu muitas voltas nestes últimos 5 anos, tantas que parece que foi noutra vida. Quando ela nasceu, lembro-me de andar à procura, esfomeado, dos meus sonhos. Não que tenha desistido de procurar por eles mas... é diferente. Era tudo elevado a um extremo, tanto a alegria como a tristeza. Talvez seja um sinal da idade, outra maneira de ver, outra maneira de sentir as coisas. Mais calmo. Menos preocupado com as respostas às perguntas que não compreendo. Os poucos que me conhecem de perto dizem que a minha experiência com a morte me mudou, me tornou de alguma forma ainda mais recatado e talvez não tenham errado muito nesse pensamento. Uma das coisas que mudou nestes 5 anos foi que, depois de sentir que as coisas podem fugir do meu controlo, tornei-me mais atento a tudo o que se passa à minha volta. E sobretudo ao que se passa no meu interior.
É difícil não olhar para a minha sobrinha e não estabelecer comparações com a minha própria infância. Cada vez sinto mais pena por ela. Não deveria, mas é verdade. Acho que as crianças cada vez mais não estão preparadas para a selva que o mundo é. Provavelmente é sintomático dos tempos em que vivemos, as pessoas a serem consideradas jovens com cada vez mais idade. Se antes, com 18, 19 anos se era considerado já um adulto, hoje em dia estas mesmas pessoas são consideradas pouco mais do que crianças. Eu próprio não me levo a sério como adulto. Não me vejo como adulto, apesar dos meus 26 anos. Continuo a ter grande parte dos desejos, sonhos e receios que sempre tive. Apenas não os deixo que me afectem tanto. Se calhar isso é o que é ser adulto.
Monday, September 17, 2007
15 de Setembro de 2007
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